Ha um ano preso, maníaco do parque espera julgamento lendo a Bíblia
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segunda-feira, 02 de agosto de 1999
Por Simone Menocchi, especial para a AE 
São José dos Campos, SP, 03 (AE) - Amanhã (04) faz um ano que Francisco de Assis Pereira, o maníaco do parque, foi preso na cidade de Itaqui (RS), à beira do Rio Uruguai, a 703 quilômetros de Porto Alegre. Acusado de dez assassinatos, uma tentativa de homicídio e 11 atentados violentos ao pudor, cometidos no Parque do Estado, em São Paulo, Pereira está hoje isolado numa cela da Casa de Custódia em Taubaté, interior do Estado.
Na época de sua prisão, o então motoboy subestimou a sagacidade das pessoas do lugarejo no Rio Grande do Sul, onde foi esconder-se quando os corpos começaram a ser encontrados. Mas o maníaco foi descoberto pelos pescadores João Carlos Vilaverde e Elci da Rosa. Justiça - A chegada do maníaco em Taubaté, em 14 de agosto do ano passado, foi acompanhada por cerca de 2 mil pessoas que, em frente da penitenciária, gritavam por justiça. Agora, a realidade de Pereira restringe-se a uma cela de sete metros quadrados, no local apelidado pelos presos de Piranhão, onde ficam apenas os detentos de maior periculosidade, de comportamento incerto.
Uma cama de cimento, um colchão fino e, entre as roupas, uma Bíblia que ganhou da família são os únicos objetos na cela com pouca luz, onde ele passa quase todo o tempo. A rotina de quem era tomado pelo "lado negro", como ele próprio justificou seu comportamento durante os crimes, transformou-se em ler diariamente as infinitas páginas do Livro Sagrado. "Nem sempre ele quer sair da cela para o banho de sol", afirma o diretor da Casa de Custódia de Taubaté, José Ismael Pedrosa. Isolado - Pelo seu próprio comportamento, a rotina do maníaco não é igual à dos outros detentos. Não tem esporte, lazer nem contato com os presidiários. "Mantemos o Francisco afastado para preservar sua integridade", diz Pedrosa. Para os funcionários da prisão, que abriga 400 presos, Pereira tem bom comportamento. O diretor conta que perguntou a Pereira de onde vinha tanta tranquilidade e ele respondeu que o local lhe trazia paz e proteção.
E é neste clima de exclusão que ele espera a decisão judicial. Mas o diretor da prisão de segurança máxima admite que "seria o último a acreditar numa recuperação" do rapaz. Um esquema especial de segurança é feito todas as vezes que Pereira é solicitado pela Justiça para depor. "Ele nunca volta diferente, mantendo-se tranquilo", conta Pedrosa.
Sábado é dia de visita para o maníaco. Antes, a mãe, Maria Helena Pereira, o visitava todos os sábados. Hoje, as visitas - restritas só à família - já não são constantes, assim como a correspondência. "No começo, eram muitas cartas, em especial de pessoas religiosas, mas hoje são raras", diz Pedrosa.


