Kamakura, Japão (AE-AP) - Mutsuko Sakai os considera seus amigos, embora eles caibam na palma da mão. Eles mordem, ela admite, "com dentes como tachinhas", e invadiram a despensa do seu restaurante. Mas o que ela pode fazer? Eles são simplesmente muito fofos. os esquilos que habitam o interior e os arredores das florestas desta antiga capital estão destruindo linhas de comunicação, roubando comida e ameaçando invadir Tóquio.
Apesar de receberem o apoio de legiões de turistas que os alimentam com nozes e chocolates, os esquilos conquistaram as manchetes de primeira página e levaram suas vítimas a formar comitês de vigilância anti-esquilos.
O Japão nunca foi muito entusiasmado com os esquilos. Eles nunca foram aqui a atração dos parques como são em diversos outros países e, antes destes acontecimentos, eram vistos mais em zoológicos do que em qualquer outros lugar.
Mas por razões ainda desconhecidas, a população de esquilos formosan, importados para o Japão de Taiwan antes da Segunda Guerra Mundial, mais do que triplicou nos últimos 10 anos, diz Kaoru Fujita, um pesquisador da Associação dos Pássaros Selvagens, que estuda animais em seu habitat.
A explosão da população de esquilos vem sendo particularmente mais evidente em Kamakura e outras áreas próximas a Tóquio, onde os perigos de viver com pessoas são, aparentemente, superados pela abundância de comida e de abrigo disponíveis.
Pesquisadores ainda estão tentando descobrir quantos eles são
mas o impacto causado pelos roedores já causam sérias preocupações. Possivelmente, a maior vítima até agora é a subsidiária da maior companhia de comunicação japonesa, que prevê gastos da ordem de alguns milhões de dólares este ano com a reparação de cabos telefônicos danificados por esquilos na área metropolitana de Tóquio.
Fazendeiros, sacerdotes e proprietários de residências também têm uma longa lista de reclamações, que vão desde o roubo de frutas cítricas e de oferendas dos templos budistas até a entrada sorrateira nas casas das pessoas, quando danificam a mobília.
A situação chegou a tal ponto que os habitantes de Kamakura formaram a Sociedade das Vítimas dos Esquilos de Taiwan para coordenar os esforços de contenção aos roedores. Mas os esquilos têm muitos protetores.
Turistas adoram ver o salto dos animais de árvore para árvore e porque eles atraem turistas para as proximidades das lojas, conquistaram a apoio dos lojistas. Ichiro Seki, que administra uma loja de comidas num popular templo budista, segura amendoins nas suas mãos enquanto os esquilos escalam suas pernas e braços. "Eles representam ótimos negócios", ele diz.
Apesar de os esquilos roubarem as frutas deixadas como oferendas, Hajime Ohwaki, gerente do templo Hokoku-ji, disse que seria contra os princípios budistas matá-los.
Porém, ambientalistas temem que permitir que os esquilos tornem-se habituados às ofertas dos turistas pode levar a sérios problemas no futuro.
Bandos de macacos, que eram encontrados quase que exclusivamente nas montanhas, foram retirados do seu habitat natural seduzidos pelas guloseimas oferecidas pelos turistas e, agora, invadem com regularidade quitandas em diversas áreas urbanas próximas as Tóquio.
Fujita, o pesquisador da Associação de Pássaros selvagens, também notou que os esquilos de Formosa estão lentamente avançando sobre o território dos esquilos nativos japoneses, da mesma maneira como os corvos das florestas do sudoeste da ásia vem suplantando seus dóceis primos japoneses nas últimas décadas.
E como os corvos, os esquilos tendem a adotar uma dieta de comidas de baixo valor nutritivo e lixo. "Se estes esquilos continuarem como estão, vão todos acabar com diabetes", disse Shigeto Misaki, um visitante do templo zen de Engaku-ji, uma das maiores atrações turísticas de Kamakura.

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