Há indícios de ligação de Naya com o narcotráfico, afirma advogado
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Clarissa Thomé e Eliane Azevedo 
Rio, 16 (AE) - O advogado dos ex-moradores do Palace II, Nélio de Andrade, afirmou hoje que autoridades estaduais teriam indícios do envolvimento do deputado cassado Sérgio Naya com o tráfico internacional de drogas. Naya é dono da Sersan, construtora do prédio que caiu desabou parcialmente na madrugada de 22 de fevereiro de 1998. Andrade afirmou ter tomado conhecimento desses indícios durante as investigações após a queda do Palace II.
"A autoridade estadual" teria reafirmado as suspeitas há cerca de seis meses num encontro com a presidente da Associação das Vítimas do Palace II, Rauliete Guedes Barbosa, do qual participaram também Bárbara Alencar - a filha dela, Luíza, de 11 anos, morreu na tragédia -, e sua irmã, Nerina Alencar. Rauliete confirmou a reunião, mas achou precipitado o advogado ter divulgado as suspeitas.
Segundo o advogado, em uma operação de busca e apreensão feita pela polícia e pelo Ministério Público Estadual no escritório da Sersan no Rio, teriam sido encontrados disquetes que, pela informação dada aos integrantes da associação, conteriam material envolvendo Naya com o narcotráfico. Ele explicou que só agora, quase dois anos depois do desmoronamento do prédio, decidiu divulgar as suspeitas, porque estava esperando que as autoridades tomassem providências. "As pessoas disseram que queriam esperar o tempo certo, mas advogado come mingau pelas bordas", comentou.
Andrade pediu ao presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, deputado federal Magno Malta (PTB-ES), que o procure. "Tenho mais informações", afirmou.
Promotora - A promotora Mônica Di Piero, responsável pelo inquérito, garantiu hoje que não tem nenhum indício do envolvimento do deputado cassado com o tráfico de drogas. "Não há nada nos autos, disquetes ou qualquer outra coisa que aponte para isso", afirmou ela. A promotora explicou que na operação no escritório da Sersan, em março, não foram apreendidos disquetes, mas o computador da empresa.
Na época, o caso estava com a promotora Maria Aparecida Dias, que acompanhou pessoalmente a operação. "Pedi à Justiça autorização para abrir o disco rígido do computador e foi negado", contou ela. "Entramos com recurso, que não foi julgado e, por isso, não temos conhecimento do que existe ali dentro". Fontes do Ministério Público garantiram o nome de Naya também não surgiu nas investigações feitas pela assessoria especial do MPE sobre o narcotráfico no Rio, nem nas apurações da CPI do Narcotráfico.
O advogado de Naya, Nilo Batista, não quis comentar o assunto. Até o início da noite de hoje a 5ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio não havia julgado o pedido de habeas-corpus em favor do ex-deputado.
Prisão - Sergio Naya, que está preso na Polinter - tem direito à prisão especial - , no Rio, recebeu hoje a visita de dois advogados cíveis, do advogado criminal Flávio Brito e de duas oficiais de Justiça, que o citaram em processos de indenização de vítimas do desabamento do Palace.
Ex-moradores do Palace II montaram uma vigília em frente à Polinter. No final da tarde, um homem, identificado pelos policiais como irmão do ex-deputado, deixou a carceragem. Houve tumulto quando os moradores o perseguiram, protestando, mas o homem negou qualquer parentesco com Naya.
Por determinação da direção da Polinter, não foram divulgadas informações sobre o primeiro dia de Naya na cadeia no Rio. "Ele está sob a guarda da Justiça e merece privacidade", afirmou o diretor da Polinter, Claudio Nascimento. A declaração revoltou o casal Pedro e Sonia Maria Teixeira, ex-moradores do Palace. Eles dividem um quarto de 12 metros quadrados com a filha de 15 anos no Hotel Atlântico Sul, onde estão hospedados há mais de um ano. "Naya tem mais conforto aí do que nós no hotel", afirmou Teixeira.


