Há 34 anos no mesmo emprego
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quarta-feira, 30 de abril de 2003
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
Para o Dia do Trabalho, é improvável que exista exemplo maior de perseverança: Nelson Faneco, 63 anos, é garçom há 47 anos, e há 34 bate cartão no mesmo local de trabalho em Londrina. Se tivesse que escrever um currículo amanhã, ele teria pouco para colocar no campo ''experiência profissional em outras áreas''.
''Quando moço, trabalhei alguns meses como taxista. Mas era muito sofrimento. Você fica de pé a noite inteira, longe da família, corre o risco de ser assaltado. E em 1966, eu sofri um acidente sério com o táxi, passei um mês no hospital. Aí, desisti de vez'', lembra ele. Ele já tinha experiência anterior como garçom em dois bares antes de pedir emprego no restaurante Rodeio, em 1969.
As décadas de trabalho lhe renderam em abril um certificado do Rotary Club, pelo serviços prestados à sociedade londrinense, e que foi pregado na parede do restaurante. A entrada de Nelson no mercado de trabalho se deu pelas vias tortuosas que toda família humilde conhece bem. ''Era o mais velho de quatro irmãos, e minha mãe tinha morrido de câncer. Quando eu tinha 18 anos, meu pai me explicou a situação financeira apertada e pediu que eu começasse a trabalhar'', diz o garçom.
Hoje, Nelson trabalha entre as 19 horas e a 1 hora da madrugada. Quando termina o serviço, ruma direto para casa. ''Quando eu era jovem, tive meus momentos de boêmia, é verdade. Mas eu aprendi que isso tudo é uma ilusão. Você sai, se diverte, mas é a sua família que vai estar te esperando, e é com ela que você vai contar no futuro'', afirma.
Mais velho de uma equipe de quatro garçons, Nélson lembra que é impossível se manter tanto tempo num emprego sem ser um apaixonado pelo serviço. ''Tem que encarar com bom humor, procurar ser um bom empregado, sem discutir por bobagem. Tem que ter amor pela profissão e pelo cliente. E não pode de jeito nenhum levar bode, de briga em casa, de dívida, para o trabalho'', alerta o garçom.
Há sete anos, ele se aposentou, mas continua trabalhando. Nelson tem cinco filhas, mas confessa que não tem frustrações por não ter tido um filho homem para seguir seus passos. ''Ah, eu não gostaria que um filho meu fosse garçom, não. É uma profissão que você adota por falta de formação. Eu gostaria de ter sido advogado, mas não pude estudar'', admite, embora seu tom de voz não contenha nada de frustração. ''Você tem que se dedicar ao seu emprego de todo coração, e aprender a ser feliz com ele. Como eu sou feliz com o meu''.


