Há 300 anos, a vila de São Paulo virava cidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de julho de 2011
Agência Estado 
Há 300 anos, São Paulo não passava de um aglomerado de 210 casas de taipa em ruas de terra batida, com sete igrejas e quatro bicas d'água. Tinha mil habitantes: índios escravizados, portugueses recém-chegados e mamelucos filhos da terra. Em 11 de julho de 1711, o povoado do alto da serra pela primeira vez ganhou importância: não era mais uma vila. Amanhã (11), faz três séculos que São Paulo virou cidade.
No dia em que o então rei de Portugal, d. João V, assinou em Lisboa a ordem régia que oficializou a elevação, os vereadores paulistanos discutiam na Câmara a crise mais grave do seu tempo: faltava sal na cidade. O transporte ilegal de éguas pelo caminho do mar também preocupava. E as procissões religiosas estavam sendo comprometidas por "rapazes, carijós e negros", que atentavam contra a "compostura e decência".
Os vereadores discutiam assuntos corriqueiros quando descobriram, oito meses depois da elevação, que haviam recebido a honraria da Coroa. Em 2 de fevereiro de 1712, São Paulo foi chamada de "cidade" pela primeira vez. Sem pompa nenhuma: foi em uma ata de 12 linhas da Câmara que justificava - ora vejam - a ausência de um vereador. Na prática, a elevação permitia que a cidade pudesse servir de residência para o governador e capitão-mor da capitania de São Paulo e Minas do Ouro e que ganhasse um bispo. Como vila, isso não seria possível. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


