Guterres quer segundo mandato para aprofundar reforma social Jair Rattner, especial para AE
Lisboa, 9 (AE) - Depois de quatro anos com maioria relativa no parlamento - 112 dos 230 deputados - o primeiro-ministro português, Antônio Guterres, afirma que tenta obter uma maioria que permita ao PS realizar as reformas que a oposição não teria deixado realizar no primeiro mandato à frente do governo.
"Nosso objetivo é ganhar as eleições e se tivermos maioria absoluta isso facilitará um conjunto de reformas importantes para o nosso país.
As grandes preocupações que temos neste momento têm a ver com a Justiça, com a segurança social, que não foi aprovada no parlamento, e com alterações nos domínios da saúde e da administração pública", afirma Guterres, um engenheiro de 50 anos, viúvo, que depois da revolução que trouxe de volta a democracia a Portugal, em 1974, trocou uma carreira acadêmica pela política.
Profundamente católico, ao ponto de mesmo no cargo de primeiro-ministro se contrapor ao seu partido em questões como a legalização do aborto, Guterres procura minimizar as sondagens, para não criar nos militantes a idéia de que as eleições já estão ganhas.
"Acho que o que as sondagens dizem não influencia de maneira nenhuma a nossa campanha." Guterres diz que mesmo sem a maioria absoluta vai continuar chefiando o governo: "Se tivermos maioria relativa, aceitaremos a decisão do eleitorado e tentaremos governar exatamente da mesma forma como fizemos nesses últimos quatro anos, estabelecendo compromissos no parlamento.
Temos a consciência de que o risco de instabilidade política será maior, uma vez que tem havido uma maior agressividade por parte dos partidos da oposição." Apesar de durante mais da metade da campanha eleitoral oficial terem ocorrido mobilizações nacionais suprapartidárias em torno da questão de Timor Leste, Guterres afirma que isso não vai mudar o sentido de voto dos portugueses: "Não acredito que haja um efeito sobre as eleições, na medida em que o que as sondagens hoje dizem é muito semelhante ao que diziam antes da crise de Timor. A crise de Timor teve um efeito muito importante no país. Houve uma admirável manifestação da sociedade civil, juntando gente de todos os partidos políticos. É indiscutível que Timor representou para os portugueses algo que mexeu profundamente com sua alma, mas em termos eleitorais, não creio que venha a registrar qualquer efeito significativo."
Brasil - No programa eleitoral de 1995, Guterres apontava como prioridade a melhoria das relações com o Brasil. Quatro anos depois, Portugal alcançou o lugar de terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil. "O objetivo que tracei foi fazer do Brasil a grande prioridade da política externa portuguesa. Hoje há um relacionamento político excepcional, que se confirmou na última reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre Timor. Há, no plano econômico, um salto sem precedentes. Houve uma descoberta do Brasil pelos empresários portugueses. O investimento português no Brasil era praticamente nulo há quatro anos e hoje representa muitos bilhões de dólares. E há no plano cultural uma aproximação e um intercâmbio crescentes, que nos fazem pensar que este reencontro é duradouro." Sua prioridade em relação ao Brasil no próximo mandato será a comemoração do descobrimento. "Serão 500 anos desde que o Brasil e Portugal começaram a caminhar juntos. Espero que as comemorações dêem um impulso muito grande ao relacionamento das duas sociedades, ultrapassando os aspectos políticos e econômicos, pondo ênfase no cultural e no social, e fazendo com que as duas sociedades criem relacionamentos muito mais fortes e sólidos em todas áreas da vida moderna. Tenho também a esperança e há sinais de retorno dos investimentos brasileiros em Portugal, que tenham um aumento significativo no próximo mandato."





