Guterres diz que Brasil é potência mundial e defende Mercosul
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 28 (AE) - O primeiro-ministro de Portugal, António Guterres, afirmou hoje que o Brasil já pode ser considerado uma "potência mundial". "Um país com 160 milhões de habitantes e um PIB (Produto Interno Bruto) como o do Brasil não é um país pobre", afirmou Guterres. "Os países do Mercosul não são mais considerados pobres, dentro da lógica da economia mundial", analisou o primeiro-ministro. Para Guterres, o mercado comum dos países do Cone Sul tem "vocação" de assumir a hegemonia política e econômica na América do Sul. Ele afirmou estar interessado em fortalecer a integração da União Européia com o bloco para evitar o predomínio dos Estados Unidos em toda a América, elaborando um "mundo multipolar".
Segundo o primeiro-ministro, a criação do Mercosul foi "um passo histórico que pode cair no vazio", se não houver visão estratégica. "Temos de saber superar os pequenos problemas", afirmou Guterres. Ele aconselhou a formação de instâncias que cuidem de temas do bloco sul-americano que estejam acima dos governos de cada país, como é o caso do Parlamento Europeu. Guterres confirmou que o novo grande interesse externo português é o Brasil. "A única forma de projeção de Portugal na Europa é o país projetar-se para fora", afirmou. A Espanha é o outro país europeu mais interessado na integração dos dois blocos, lembrou. Guterres disse que 40% dos investimentos externos portugueses, cujo total não soube dizer, foram feitos no Brasil.
"No momento mais difícil da crise brasileira, eram anunciados investimentos externos no Brasil, em Portugal", afirmou Guterres, para demonstrar que o interesse é de longo prazo. "Não estamos aqui para comprar, vender, ganhar dinheiro na bolsa", afirmou. "Daqui a 50 anos ainda haverá um Brasil, e será forte."
Ao comentar os investimentos de seu país no Brasil, ele admitiu que o "pior desempenho" das empresas portuguesas foi no setor financeiro. Segundo Guterres, uma das razões para isso é a necessidade de conhecimento profundo do mercado em que se vai investir no setor. O primeiro-ministro lembrou que, com a integração, também haverá oportunidades de investimentos brasileiros na Europa, como já acontece em Portugal, nos setores de comunicações e construção.


