Gustavo Franco lança livro sobre a economia brasileira
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 13 (AE) - Algumas das principais idéias que fazem parte de "O Desafio Brasileiro, Ensaio sobre o Desenvolvimento Brasileiro", livro lançado pelo economista Gustavo Franco, foram postas no papel quando o ex-presidente do Banco Central (BC) ainda fazia parte do governo. Em 1996, a pedido do presidente Fernando Henrique, Franco escreveu um texto sobre o desenvolvimento econômico e o futuro do Plano Real depois da estabilização.
O texto foi amplamente divulgado e deu origem a uma série de novos temas desenvolvidos posteriormente pelo economista e reunidos no livro, de 349 páginas, prefaciado pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Diferentemente do livro anterior, "bastante acadêmico", Franco quis neste livro tornar acessível conceitos e temas atuais, que ainda não estão absorvidos pela opinião pública. Mas deixa claro: "Não se trata de um livro de revelações." Por isso, os leitores não devem encontram informações de bastidores picantes.
Dividido em três grandes temas da atualidade, a primeira parte trata sobre a inserção externa, inflacionismo e desenvolvimentismo. A segunda parte procura explicar conceitos e idéias que giram em torno da globalização. Nesta parte, Franco afirma que há alguns textos "controversos", mas garante que leitura vai ser divertida, como o sobre os detratores da globalização. Há também um ensaio sobre o pessimismo.
A terceira parte traz textos escritos com a experiência obtida no BC, primeiro como diretor da área internacional e depois ocupando a presidência. Lá os leitores poderão ler um ensaio inédito sobre política cambial e outro sobre o inflacionismo - tese fundamentada no fato de que a inflação é o combustível para o desenvolvimento econômico.
Franco diz que durante uma época no Brasil o inflacionismo poderia ser verdadeiro. "Mas esse tempo já passou" e justifica argumentando que o Brasil conseguiu avançar no processo de desenvolvimento com inflação, mas ao custo de aumentar as desigualdades. "Chegou uma hora que coincidiu o choque externo e o retorno à democracia que fizeram com que se esgotasse o estoque à tolerância em relação à desigualdade". Tornou-se necessário inventar novamente um modelo de desenvolvimento para um mundo sem inflação.
Mas não é tarefa fácil. Franco afirma que um novo modelo exige deixar de lado muitas teorias construídas em torno da inflação da poupança ao papel do estado no desenvolvimento econômico.
Esse novo desenvolvimento precisa ter o atributo de uma moeda forte, que nunca tivemos, observa. Tema que serve de gancho para a terceira seção do livro, que fala sobre a importância do Banco Central no novo desenvolvimento econômico.


