Gustavo Franco diz que juro abaixo de 17% é improvável
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 24 (AE) - O ex-presidente do Banco Central (BC) Gustavo Franco alertou hoje, em seminário sobre crescimento econômico, que será improvável a taxa de juros barsileira cair para abaixo de 17% ou 18% enquanto a confiança dos investidores estrangeiros no País for baixa. Em palestra que fez no Jockey Club Brasileiro, Franco explicou que, abaixo deste nível, não haveria atração para os títulos brasileiros.
O ex-presidente do BC previu que a desvalorização cambial não vai eliminar o déficit brasileiro em contas correntes e no fim do ano o País vai continuar a depender de investimentos especulativos. "Depois de tudo, vamos continuar a depender de capitais de motel", ironizou.
"Isso é mal, porque surgem idéias protecionistas". Ele lembrou que uma das razões para a balança comercial não ter se revertido rapidamente depois da desvalorização foi o alto nível, de 40% em média, de insumos importados usados nas exportações, que manteve a necessidade de compras externas pelas empresas.
Franco alertou para o risco que a manutenção da dependência de capitais externos, combinada com a política de flutuação do câmbio, pode representar com uma eventual crise externa que atinja o fluxo de capitais para o Brasil. "Se a Argentina tiver problemas sérios e a pressão cambial for muito forte, o BC deixará a taxa chegar a R$ 2,20 ou R$ 2,30?", questionou.
Reformas - O ex-presidente do BC afirmou estar preocupado com a inversão da ordem de importância na agenda de reformas do governo. Para Franco, a reforma tributária não poderia ser discutida antes da previdenciária. "Acho difícil a União ganhar algo com isso", disse Franco, para quem a reforma tributária fatalmente implicará perda de arrecadação governamental. Ele admitiu que o governo cometeu um erro, do qual também foi autor, ao estabelecer um programa de ajuste de gastos em três anos, nos termos do acordo negociados com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "A disciplina fiscal tem que ser para o resto da vida", defendeu.
Segundo Franco, apesar de as metas fiscais estarem sendo cumpridas, existe uma "sensação de precariedade" do esforço do governo neste campo, pela sociedade. Leme defendeu esforços mais profundos de ajuste fiscal para que o País consiga taxas de crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) constantes. Na sua palestra, o economista da Goldman Sachs afirmou que a tendência é de que o PIB brasileiro cresça entre 3% e 3,5% no ano 2000.


