Gusmão reafirma que timorenses devem pegar em armas
Jacarta, 14 (AE-REUTERS) - O líder separatista do Timor Leste Xanana Gusmão reafirmou hoje que a população do território ensanguentado deve pegar em armas, apesar do pedido da Indonésia para que se retratasse.
Segundo Hendardi, advogado de Gusmão, o líder divulgaria um esclarecimento, "mas nada será retirado de suas declarações prévias", disse. "A declaração de guerra deve ser colocada no contexto de uma afirmação defensiva", afirmou.
O ministro da Justiça da Indonésia exigiu na sexta-feira que Gusmão retirasse a declaração feita no dia 5 no prazo de uma semana, ameaçando colocá-lo novamente na prisão.
Numa declaração lida aos jornalistas, Gusmão convidou o governo indonésio e as Forças Armadas (ABRI) à paz, mas manteve sua conclamação para os timorenses pegarem em armas com o objetivo de defenderem-se das forças pró-Jacarta.
"Sou obrigado a continuar pedindo que o povo indefeso do Timor Leste não aceite ser abatido como animais... apesar de saber que a ABRI vai continuar dando apoiando as milícias como parte de um plano desumano orquestrado por generais indonésios para destruir o povo do Timor Leste", disse Gusmão.
O líder afirmou que 21 pessoas foram mortas por forças pró-Jacarta nos primeiros três meses deste ano no Timor Leste, em diferentes localidades. Entre os lugares citados está Liquisa, cidade onde teria ocorrido o massacre de 25 pessoas, segundo o bispo Carlos Belo, líder espiritual do Timor.
"Gostaria de estender o convite aos políticos da Indonésia e, acima de tudo, ao exército indonésio", disse Gusmão, pedindo paz, diálogo e reconciliação.
"O estabelecimento de um clima de paz no Timor Leste pode beneficiar a própria Indonésia. O governo indonésio pode testar sua boa vontade política solucionando este problema".
Em Jacarta, cerca de 70 estudantes timorenses fizeram uma manifestação hoje, denunciando a recente violência no território. Pedindo o fim das matanças no Timor Leste e a retirada dos militares, os estudantes também reivindicaram a presença de uma força de paz das Nações Unidas.





