Rio, 07 (AE) - O auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães admitiu hoje à noite, na chefia da Polícia Civil, que duas das cinco mortes confessadas por ele foram cometidas pela manhã, pouco antes de ser preso no Hospital Salgado Filho. Ele desligou os aparelhos de oxigênio da dona de casa Maria Aparecida Pereira, de 49 anos, internada ontem (06) por complicações neurológicas, e Francisca Tereza Coutinho Oliveira, com politraumatismo causado por acidente de automóvel.
Guimarães explicou que não aplicou a injeção letal porque as duas " já estavam com pouca respiração". Segundo o auxiliar de enfermagem, sua vítimas foram pessoas acima dos 40 anos - as outras três mortes confessadas seriam de um portador do vírus HIV, um tuberculoso e um paciente com pneumonia. A polícia investiga a morte de Mathias Gomes e Márcia Graniere.
Ligava - O auxiliar de enfermagem confessou que ligava para casa de parentes das vítimas comunicando as mortes e disse que, além da intenção de "aliviar o sofrimento dos pacientes", praticou o crime por causa de problemas econômicos - ele disse que recebe R$ 550 e tem uma dívida bancária de R$ 1 mil. Segundo Guimarães, ninguém do hospital tem conhecimento disso.
Apesar de trabalhar há anos no Salgado Filho, o auxiliar de enfermagem afirmou que só procurou as funerárias Novo Mundo e Interlagos nos últimos dois meses. Ele é casado, tem uma filha de dez anos e mora em Jacarepaguá, na zona oeste do Rio. Fez um curso de formação para oficiais da PM em 1980, mas deixou a corporação por causa de problemas na visão. Antes de ingressar no hospital, trabalhou de enfermeiro em clínicas particulares, de 1981 a 1989.
Católico - " Acredito em Deus, sou católico, mas não praticante", declarou Guimarães, que disse desconhecer o significado da palavra eutanásia. Ele afirmou que não ganhou comissão pelas mortes, mas admitiu que poderia receber até R$ 1mil pela morte de Francisca.

mockup