São Tomé das Letras, MG, 23 (AE) - O ex-ator Guilherme de Pádua, 30 anos, condenado pelo assassinato da atriz Daniella Perez, em 28 de dezembro de 1992, escolheu a cidade mística de São Tomé das Letras, a 335 quilometros de Belo Horizonte, no Sul de Minas, para a sua primeira viagem após sair da prisão, em outubro do ano passado. Acompanhado da nova namorada, Veronica, e com alguns quilos a mais, Guilherme concedeu sua primeira entrevista exclusiva após passar seis meses sem sair da capital mineira. A viagem foi autorizada pela Vara de Execuções Criminais (VEC), do Forum Lafayette. O ex-ator retorna amanhã (24) para a casa dos seus pais, no Bairro Anchieta, Zona Sul de BH. A cada três meses Guilherme afirma cumprir a exigência de se apresentar a Justica.
O ex-ator, que trabalha agora com informática, evitou comentar o assassinato de Daniella Perez. Demonstrava medo. Guilherme de Pádua não fala sobre o crime, mas prepara novidades. "Tenho um monte de coisa pra contar, mas não quero mexer no passado. Quero falar da vida, do tempo em que passei na prisão. Já tenho rascunhos com um monte de coisa", disse, ao referir-se a um novo livro que pretende escrever. O livro "A História que o Brasil nao conhece", escrito pelo ex-ator, com sua versão sobre o crime foi retirado de circulação pela Justica a pedido da novelista Gloria Perez, mãe de Daniella.
Guilherme circulou pela cidade levando no bolso a autorização dada pela Justica. O cuidado foi tomado até mesmo para ir até a barraca de pamonha, localizada a poucos metros da pousada onde se hospedou. Ele está em São Tomé desde quinta-feira. Ele tomou banho de cachoeira e conheceu a piramide - uma das atrações turisticas da cidade. O ex-ator foi reconhecido por populares e chegou a autografar um violão do tabelião do município, que tem cerca de seis mil habitantes. A cidade esta lotada de turistas, a maioria de Sao Paulo.
Guilherme de Padua foi flagrado pelo jornal Hoje em Dia quando comia pamonha a poucos metros do local onde esta hospedado. Uma das preocupações do ex-ator era não expor as pessoas que o acompanhavam - um policial civil da cidade e a nova namorada. Justificou que não queria tambem perder a tranquilidade durante o feriado e detalhar sua nova vida. Segundo ele, está enfrentando dificuldades na informática por causa do grande numero de profissionais que atuam em BH, principalmente na area de software. O trabalho é feito na propria casa dos pais, onde está desde o dia 14 de outubro, quando deixou o presídio Ary Franco, no Rio de Janeiro. Ele cumpriu um terço dos 18 anos e quatro meses a que foi condenado pela morte de Daniella Perez. Os dois contracenavam na novela "De Corpo e Alma", da Rede Globo.
Guilherme de Pádua revelou que pretende viajar pelo interior de Minas. Ele vai solicitar à Justiça autorização. A meta do ex-ator agora é prestar assessoria de informática aos clientes da empresa em que trabalha desde dezembro do ano passado. Uma das dúvidas do ex-ator é saber se pode viajar para municipios que ficam até 100 quilometros de BH. "Logo na minha primeira viagem, depois de seis meses sem sair de Belo Horizonte, vocês me encontram aqui. Eu gostaria de esquecer tudo, de recomeçar a minha vida, mas já que voces me encontram, não tenho o que fazer", declarou.
A versão de que teria sido Paula Thomaz, condenada a 18 anos e seis meses, que deu os golpes de tesoura em Daniela Perez, foi contada por Guilherme de Pádua a um morador de Sao Tomé das Letras. O morador preferiu não se identificar. Segundo ele, Guilherme teria dito que tentou tirar Daniella Perez de perto de Paula Thomaz, quando esta se aproveitou da queda da atriz para golpeá-la. Daniella, que trabalhava na novela "De Corpo e Alma", de Gloria Perez, mãe da atriz, morreu com 18 tesouradas. Guilherme teria contado ainda que o terreno onde aconteceu o crime era acidentado, o que provou a sua queda junto com Daniella. O ex-ator nao quis comentar com a reportagem sua versão. Ao ser questionado, ele voltou a falar sobre o novo trabalho.
Guilherme de Pádua diz estar seguindo rigorosamente as orientações dadas pela Justica para ter o direito de cumprir em liberdade o restante da pena. O Ministerio Publico do Rio de Janeiro tenta desde outubro do ano passado cassar o livramento condicional concedido a ele. O mérito da ação deverá ser analisado ainda este semestre pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justica do Rio, que negou pedido de liminar feito pela promotora Ilana Spector.
Guilherme de Pádua diz que seu desejo após sair da prisão foi ver o filho, mas não o fez seguindo orientação do advogado Paulo Ramalho. O advogado, que na epoca atuou como defensor publico de Guilherme, temia o assedio da imprensa durante a visita. Foi Ramalho que orientou o ex-ator a não conceder entrevistas, para evitar cair em contradições. Guilherme disse que ja esteve com o filho, Felipe, em Belo Horizonte. O menino, que mora com a mãe Paula Thomaz, no Rio de Janeiro, esteve com o pai no inicio do ano. Paula Thomaz esta cursando Direito, mas enfrenta reações contrárias de alguns colegas da Faculdade Candido Mendes.
Durante a entrevista, Guilherme de Pádua foi interrompido várias vezes pela namorada e pelos amigos, que tentaram evitar a imprensa. O ex-ator, ao ser descoberto, chegou a dizerr que voltaria para Belo Horizonte, mas concedeu entrevista. Ele justificou que estava tentando há um mês autorização para sair de Belo Horizonte, mas só conseguiu na semana passada, quando assinou o livro de apresentação na Vara de Execuções Criminais. (CM)

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