Rio, 14 (AE) - Menos de sete anos depois do assassinato da atriz Daniella Perez, o ator Guilherme de Pádua, réu confesso do crime, obteve liberdade condicional e foi solto hoje à tarde. Ele estava no presídio Ary Franco, em água Santa, na zona norte do Rio, desde que foi condenado, em janeiro de 1997. Pádua foi libertado por já ter cumprido um terço de sua pena - de 19 anos - e ter bom comportamento. Agora ele deverá se apresentar à Justiça a cada três meses. Segundo o advogado do ator, Paulo Ramalho, Pádua deveria viajar hoje à noite para Minas Gerais, onde visitaria os pais.
O juiz Cezar Augusto Rodrigues Costa, da Vara de Execuções Penais concedeu o benefício a Pádua. É o mesmo que o negou no início do mês, baseado no fato de que o condenado precisava comprovar a reparação de danos causados - exigida pela novelista Glória Perez, mãe de Daniella, que havia entrado com uma ação pedindo reparação de danos morais e materiais contra Pádua e também contra Paula Thomaz, ex-mulher de Pádua. Paula foi condenada pelo II Tribunal do Júri, também em 1997, a 18 anos e seis meses de prisão (que foram reduzidos para 15 anos) por co-autoria do assassinato.
Indignação - Quando soube da condicional de Pádua, Glória Perez reagiu com revolta e tristeza. "Senti um grande vazio; toda a dor daquela noite voltou", disse a novelista, que acredita que Pádua tenha vivido "sete anos de mordomia na prisão". "Meu único conforto é saber que o selo de assassino está na testa dele e que é uma marca que nunca vai sair", afirmou.
Em nota enviada à imprensa, a novelista disse que Pádua é "mais um criminoso solto na rua". "Só resta esperar que Deus impeça outros pais de viverem a dor que eu e minha família vivemos, uma vez que a Justiça demonstra que não está preocupada com isso", continuou.
Em 1998, por já ter cumprido um sexto da pena, Paula Thomaz passou para o regime semi-aberto, deixando a carceragem da Polinter para o Instituto Penal Romeiro Neto, em Niterói, no Grande Rio. Em maio deste ano, Paula conseguiu o direito a 35 dias de visita à família, no período de um ano. Ela tem passado alguns fins de semana na cidade de Maricá, na Região dos Lagos, na companhia dos pais e do filho que teve com Pádua, Felipe, de cinco anos, que nasceu na prisão. Paula havia pedido à Vara de Execuções Penais para trabalhar como empregada doméstica em uma casa na região de Maricá, o que a Justiça considerou inviável, já que seria de difícil fiscalização.
Bom comportamento - Além da apresentação periódica, a liberdade condicional prevê também que Pádua terá de comprovar que está trabalhando, chegar em sua residência no máximo as 23 horas, onde deverá permanecer. Ele não tem permissão para dormir fora de casa e tem que cumprir exigências como não frequentar lugares passíveis de reprovação social, não abusar de bebidas alcóolicas e não se envolver com jogos proibidos.
Pádua foi preso no dia 29 de dezembro de 1992, um dia depois do crime que chocou o país. Pádua e Daniella Perez trabalhavam juntos na novela "De corpo e alma", da Rede Globo, e faziam um dos pares românticos da trama. Em um depoimento não-oficial, Paula admitiu ter ajudado o então marido a matar Daniella em um matagal da Barra da Tijuca, na zona oeste, e chegou a revelar à polícia que cometera o crime por ciúme.

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