São Paulo, 28 (AE) - O presidente da Fundação Estadual para o Bem-Estar do Menor (Febem), Guido Andrade, pediu demissão hoje do cargo que ocupava desde 3 de setembro. Em entrevista para a "Rádio Eldorado", ele explicou a causa do seu pedido de demissão: "As razões são de foro íntimo, em primeiro lugar; em segundo, porque eu sou um advogado que milito na advocacia plena e preciso retornar a essa advocacia".
"A Febem começou a tomar 36 horas do dia; eu imaginava uma presidência em que eu trabalhasse muito, mas tivesse uma vida normal". Segundo ele, um presidente da Febem, nessa situação, que queira fazer as coisas que ele "estava fazendo tem de ficar permanentemente à disposição". Ele alegou também problemas de saúde para deixar o cargo. "Eu tenho um grave problema de saúde, eu tive câncer linfático e é uma preocupação de vida".
Andrade, que também já foi presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), reafirmou que a Febem é uma "bomba-relógio": "Os adolescentes estão dentro de um salão na Imigrantes; são 331 menores dentro de um salão, o que é suportável até um certo ponto, depois não é". Ele avalia que a remoção do local tem de ser imediata. E afirmou que a sua decisão de pedir a exoneração do cargo nada tem a ver com a afirmação do governador dizendo que vai assumir pessoalmente a direção da instituição: "Não me sinto desprestigiado, é uma decisão dele, numa situação de absoluto descontrole, em que ele preferiu cuidar pessoalmente do assunto". Culpa - De acordo com Andrade, a culpa por esse descontrole seria da própria sociedade: "Culpas são muitas, e da própria sociedade; a Febem é uma instituição que não foi adequadamente cuidada, não foi inventada agora", diz. "Eu não quero responsabilizar individualmente ninguém". Para Andrade, a questão do adolescente é muito mais grave do que uma simples instituição. O advogado disse que estava formando uma comissão para elaborar um novo estatuto da Febem: "Porque sem adaptá-la às normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) fica muito difícil tocar a instituição da forma legal", salientou.
"Eu acho que o governador pessoalmente e da forma que pretende dirigir, ele próprio, com alguém que ele deve indicar para substituir-me vai poder resolver essas questões". Andrade afirmou ainda que acredita no governador Mário Covas. "É uma pessoa muito séria, e eu acho que a Febem hoje é um assunto de governo, de governador".

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