Guia para investidor cria nova polêmica entre Brasil e Argentina
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 28 (AE) - Um guia para o investidor estrangeiro no Brasil, atualizado recentemente pela Embaixada brasileira em Buenos Aires, se transformou em mais um bode expiatório para a falta de competitividade das empresas argentinas. O guia, que foi lançado ao final do ano passado e atualizado no início deste ano, está sendo considerado pela imprensa argentina como um instrumento de "sedução" para atrair empresas argentinas ao Brasil.
Em longa reportagem publicada hoje, o jornal "Clarín" afirma que a Embaixada do Brasil em Buenos Aires acabou de lançar um "manual" para "seduzir" as empresas argentinas, oferecendo vantagens, entre elas terrenos (de graça), endereços e nomes das pessoas às quais os interessados devem contactar.
"Trata-se de uma edição de 76 páginas escritas em espanhol, onde qualquer potencial investidor encontra tudo o que sempre quis saber, mas jamais se teve coragem de perguntar sobre o mercado brasileiro", afirma a reportagem do "Clarín". Em entrevista à AGÊNCIA ESTADO, o ministro conselheiro da Embaixada
Luis Fernando Panelli, disse que o guia não foi feito para a Argentina e muito menos com o objetivo de que os argentinos fechem as suas portas e se transfiram para o Brasil.
"O Itamaraty tem feito esse tipo de guias em todas as partes do mundo, direcionados para os exportadores de capital, já que esse é o caminho do crescimento e o Mercosul foi criado para isso", explicou o ministro, por telefone, de Buenos Aires. Panelli disse acreditar que as informações publicadas na imprensa argentina sobre o grande êxodo de empresas para o Brasil e sobre outras com as mesmas intenções é um mito.
"Temos registro de que se tratam de não mais de 30 empresas, das quais 70% é do setor de autopeças e ainda multinacionas", disse o ministro. De acordo com ele, esse fenômeno de transferência é mundial, já que as mutinacionais optaram por concentrar as suas fábricas em grandes centros de produção e de consumo. "Estão querendo transformar esse mito do êxodo de empresas em bode expiatório para que o governo argentino faça alguma coisa contra a falta de competividade de alguns setores", acrescentou Panelli.
Sobre as intenções de a Província de Buenos Aires tentar proibir, por 20 anos, empresas argentinas instaladas fora do país em licitações públicas (compras governamentais), Panelli disse que a Embaixada não faria comentário algum. "Até porque esse projeto ainda não existe".
A idéia do governador de Buenos Aires, Calros Ruckauf, não tem recebido apoio algum do setor privado até agora. Ao contrário, muitos setores afirmaram que esse projeto, ainda não materializado, não é uma solução para a crise que enfrenta o setor produtivo. "Com castigos não vamos conseguir nada", foi a declaração ultilizada pelas empresas locais consultadas pela imprensa de Buenos Aires, comentou Panelli à AGÊNCIA ESTADO.
Estimativas do setor privado da capital argentina mostram que das mais de 42 mil indústrias instaladas na Província, apenas 10% estabeleceram, em algum momento, alguma relação comercial (via licitação ou não) com o governo. Ou seja, o fato de impedir companhias que "fugiram" da Argentina para o Brasil a participar de licitações parece absurda e não tem apoio da maioria das empresas de Buenos Aires.


