Guia orienta pediatras contra violência
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quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Do Rio de Janeiro Agência Estado 
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou um guia para pediatras e demais agentes de saúde estimulando-os a denunciar os casos de crianças e adolescentes vítimas de violência, considerada pela entidade um problema de saúde pública no País. Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte de jovens entre cinco e 19 anos. O Fundo Mundial para a Infância e Adolescência (Unicef) estima que mais de 18 mil crianças e adolescentes sejam espancados no Brasil.
Feito em parceria com o Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Carelli (Claves), o Guia de Atuação frente aos Maus-tratos na Infância e na Adolescência já foi distribuído a 30 mil pediatras. Esta é a segunda parte da campanha, iniciada há dois anos.
Uma das principais recomendações da SBP é denunciar os casos de agressão ao Conselho Tutelar ou o órgão correspondente para que a vítima seja protegida. O Estatuto da Criança e do Adolescente diz que os profissionais da saúde têm obrigação de notificar quando jovens são agredidos, diz a coordenadora da Campanha Nacional de Prevenção a Acidentes e Violência na Infância e na Adolescência, a pediatra Rachel Sanchez. Qualquer suspeita de violência infantil, seja por maus-tratos, agressões físicas ou psíquicas, abandono ou abuso sexual, deve ser comunicada.
Os acidentes e violências - as chamadas causas
externas - provocam 64,4% das mortes de crianças e adolescentes no País, segundo dados Ministério da Saúde de 1997. As agressões correspondem a 30% desse total.
Os médicos são fundamentais nesses casos, além de tratar dos ferimentos, cuidam do lado psicológico do paciente, disse Rachel. É bastante comum chegarem crianças ao consultório com ferimentos e os pais dizerem que elas se machucaram brincando, tentando camuflar o espancamento. Nesse caso, o guia sugere que o médico preste atenção às explicações da própria criança. Como raramente elas elaboram uma mentira, é importante dar-lhes credibilidade, afirmou.


