Após quatro meses de implantação, a exigência de que todos os ônibus de turismo que entram no Parque Nacional do Iguaçu - que abriga as Cataratas - sejam acompanhados por guias já apresenta resultados positivos. A medida foi adotada em julho e beneficia profissionais que integram a Central de Guias de Turismo de Foz do Iguaçu.
A implantação do serviço se deu em cumprimento a uma lei normativa da Embratur (Instituto Brasileiro do Turismo). A determinação estabelece que todos os grupos organizados de turistas e compostos por mais de 15 pessoas devem ser acompanhados durante a visita por um guia turístico cadastrado pelo órgão.
A central, que reúne cerca de 40 guias, foi instalada no portão do parque. Diariamente, um grupo de 15 profissionais permanece de plantão no local para atender os turistas.
Além de orientar os visitantes sobre as normas de comportamento dentro do parque - como, por exemplo, não alimentar os quatis e respeitar a velocidade máxima de 60 quilômetros por hora -, os guias também dão informações sobre a história do parque e das Cataratas e explicam sobre a importância da biodiversidade.
O diretor do Parque Nacional do Iguaçu, Júlio Gonchorosky, diz que o trabalho dos guias melhora o nível das visitas e deixa o turista melhor informado. ‘‘As pessoas recebem mais informações sobre o parque e, consequentemente, fazem uma visita melhor’’, ressalta. Gonchorosky também destaca que o serviço de guias tem auxiliado no trabalho de educação ambiental que é realizado no parque.
O presidente do Sindicato dos Guias de Turismo de Foz do Iguaçu, Jorge Gilberto Nischzak, 37 anos, que atua no ramo há 13 anos, diz que a criação da central, além de melhorar a qualidade das visitas, também beneficiou a categoria. ‘‘Com a implantação do serviço foi possível gerar 100 novos empregos’’, explicou. Cada guia cobra em média R$ 40,00 por ônibus.
Com o objetivo de avaliar o nível de satisfação dos turistas com o serviço, o sindicato realizou uma pesquisa com ocupantes de 340 ônibus sobre a qualidade do trabalho e a infra-estrutura do parque. O resultado da pesquisa, apontou que 77% dos turistas consideraram o trabalho excelente, 22% bom e apenas 1%, regular.
Sobre a infra-estrutura do local, os turistas fizeram reivindicações como a isenção do ingresso ao parque e ao elevador, mais banheiros e telefones públicos, instalação de playground e até um serviço de informações meteorológicas no local.
Segundo Nischzak, só o fato de os turistas pararem de alimentar os quatis já é um grande avanço no serviço, que também visa despertar a consciência ecológica dos visitantes. ‘‘Nesse curto período já foi possível conscientizar os turistas que os quatis não podem se alimentar da mesma comida que eles.’’
A maioria dos quatis que vivem nas proximidades das trilhas panorâmicas do parque apresenta problemas de obesidade, cáries e problemas digestivos devido à alimentação errada que recebeu durante longo período. Muitos visitantes davam biscoitos e chocolates aos animais, o que ocasionou problemas de saúde nos animais.
A consequência disso é que, agora, sem esses alimentos, os quatis se tornaram agressivos e atacam bolsas e sacolas de quem anda pelo parque. ‘‘É um erro antigo que está começando a ser corrigido.’’

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