Agência estado
Clayton Félix da Silva, de 21 anos, o organizador do acampamento de um grupo de crianças às margens do Rio Poti, a 18 quilômetros Teresina, sábado, apresentou-se ontem à tarde à polícia. No local, nove crianças, entre dez e 14 anos, morreram afogadas. Em depoimento ao delegado José Lima Teles, o rapaz confirmou ser o responsável pelo acampamento montado no povoado de Pedra Miúda, e afirmou que o ocorrido foi uma ‘‘fatalidade’’. Silva foi indiciado por homicídio culposo e responderá ao processo em liberdade.
Acompanhado do advogado José Meton Filho, que negociou sua apresentação, o rapaz prestou depoimento durante duas horas. Detalhou as circunstâncias do acampamento e fez questão de frisar que grupo não pertencia ao Movimento dos Escoteiros do Brasil - regional do Piauí - como chegou-se a dizer. No depoimento, ele admitiu ter se ausentado do acampamento - para trabalhar como voluntário no mutirão de limpeza da prefeitura de Teresina - mas afirmou ter deixado dois adolescentes, de 16 e 17 anos, como responsáveis pelas crianças.
De acordo com ele, a perda de uma escova de dentes teria motivado a tragédia. Uma menina de 12 anos teria deixado sua escova de dentes cair no rio, e, ao tentar buscá-la, acabou se afogando. O local, disse, é muito fundo devido à ação das dragas que retiravam areia do leito do rio Poti. Conforme Silva, os afogamentos teriam ocorrido sucessivamente, à medida que as crianças iam tentar salvar as demais. Segundo o rapaz, outras mortes poderiam ter ocorrido, não fosse a ação dos garotos com mais idade que conseguiram tirar pelo menos dez crianças com uma canoa. O barco chegou a virar, mas eles conseguiram salvar as crianças
Bastante emocionado, em companhia do pai, Silva recebeu a solidariedade de vários movimentos populares e de associações comunitárias de Teresina. Na chegada à delegacia, familiares de crianças desaparecidas lhe prestaram apoio. A mãe de uma das crianças mortas, abraçou-se a ele, chorando.

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