‘‘Um bom guia de turismo não deve apenas saber mostrar as atrações de um local aos visitantes. Ele tem que ter um conhecimento geral sobre tudo.’’ Esta foi a definição dada por Zedequias Felisberto da Silva, que há 18 anos trabalha como guia em Foz do Iguaçu. E olha que os temas citados são bem abrangentes, passando por história, geografia, geologia, economia, hidrodinâmica, biologia e até gastronomia, entre outros.
A profissão, que até poucos anos era encarada como ‘‘bico para aventureiros’’, conta hoje com um mercado exigente e bastante competitivo, onde a formação superior e o domínio de pelo menos um idioma são extremamente importantes. ‘‘Não são itens obrigatórios, mas imprescindíveis para a pessoa que deseja alcançar um bom nível na atividade, principalmente em Foz’’, comentou presidente da Cooperativa de Guias de Turismo de Foz do Iguaçu (Cooperguias), João Inácio Fink, reinterando que mesmo tendo curso universitário, o interessado precisa fazer o curso da Embratur. As aulas duram seis meses e são promovidas em parceria com o Senac. Em Foz, um novo grupo iniciou o curso no último dia 12, onde apenas 40 dos 192 inscritos garantiram a vaga. ‘‘A pré-seleção é difícil. Por isso insistimos que os pretendentes adquiram uma boa base antes de começar na profissão’’, comentou Fink, que é guia há 23 anos e fala fluentemente alemão e espanhol.
A Terra das Cataratas, tida como o primeiro pólo turístico do interior do Brasil, o segundo na recepção de estrangeiros (perdendo somente para o Rio de Janeiro) e o terceiro pólo hoteleiro do País, mantém 312 guias credenciados pela Embratur. Destes, 53 profissionais participam da Cooperguias, entidade criada em fevereiro deste ano e que já possui sede própria em um bairro da região central. Recentemente, o grupo reinaugurou uma Central de Informações na entrada da cidade, ao lado da BR-277. ‘‘O mercado, mesmo disputado, vem crescendo constantemente. Por isso decidimos nos organizar, fechando convênios com a administração pública e iniciativa privada para garantir um atendimento melhor aos visitantes e fortalecer nossa classe’’, disse Silva, que também é diretor de marketing da cooperativa. Ele acredita que a época de ouro das compras no Paraguai já chegou ao fim e que a saída é acompanhar a evolução da cidade para o seu verdadeiro potencial: o turismo ecológico e de eventos.
João Pereira dos Santos, 39 anos, também concorda com Silva. ‘‘Quase 95% do dinheiro movimentado este ano aqui, teve origem, direta ou indiretamente, do turismo. Esta é a nossa indústria e temos que pensar nela com funcionários bem dedicados’’, garantiu o cooperado, lembrando ainda que o grupo desenvolve projetos filantrópicos, incluindo cursos promovidos em faculdades e prestação de serviços voluntários para escolas públicas locais e de outras cidades.
No Paraná, existem 768 profissionais registados pela Embratur, atuando em apenas 45 cidades. Destas, somente Foz possui cooperativa e também um sindicato local (Singtur). A maioria dos credenciados da fronteira é bilíngue ou trilíngue, mas existem guias que dominam até cinco idiomas, entre eles o grego, polonês, ucraniano e até o hebraico. Como os profissionais são divididos em três categorias (guias receptivos, de excursões e especializados) e seguem uma tabela bastante variada, fica difícil definir um salário-base. Em Foz do Iguaçu, os rendimentos variam de R$ 600,00 a R$ 1,2 mil mensais. Os registros também são divididos em três níveis: regional (no Paraná, abrange todo o Estado), nacional e sulamericano.

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