Paris, 27 (AE) - O favoritismo de Gustavo Kuerten em Roland Garros sofre ameaça: e o pior é que dele mesmo. Guga venceu seu jogo diante do argentino Guillermo Cañas por 3 sets a 1 (6/2, 6/3, 3/6 e 6/2), garantindo uma vaga na terceira rodada do torneio, mas confessou que a falta de concentração é seu maior inimigo. Se alguém pode vencê-lo é ele próprio, que se deixa envolver em situações difíceis, cai de produção e mostra-se mentalmente cansado, como ficou claro em sua partida de hoje.
"Ainda bem que este problema aconteceu na segunda rodada", aliviou-se Kuerten. "O melhor foi ter conseguido reagir e ter terminado a partida jogando bem novamente, o que não é nada fácil para sair de um buraco destes." A reação de Kuerten o manteve vivo na competição em que é apontado por todos como o máximo favorito. Antes de perder a concentração, no terceiro set, Guga deu um verdadeiro show nos dois primeiros sets diante de Cañas.
A partida, disputada na quadra Suzanne Lenglen, a segunda mais importante, com capacidade para oito mil pessoas, estava bonita. O tenista brasileiro usou e abusou das paralelas para ganhar pontos incríveis e merecer muitos aplausos da torcida. Até, de repente, cair de produção, começar a colocar bolas para fora e como ele mesmo disse "cair num buraco".
"Com certeza não joguei o meu melhor tênis, no terceiro set", admitiu Kuerten. "Por sorte, reagi a tempo, retomei o controle da partida e acho que terminei o jogo mostrando novamente o meu melhor tênis."
Não é a primeira vez que Kuerten perde a concentração e comete muitos erros desse tipo. Um de seus piores momentos aconteceu no US Open, no ano passado, em Flushing Meadows. Guga vinha dominando seu jogo diante de um tenista mais fraco, como o sul-africano Davind Naiekin, mas acabou entregando o jogo, cedendo a vitória ao adversário pelos seus erros.
"É difícil manter a concentração por mais de duas horas na quadra", admitiu Kuerten. "Espero que este problema não volte a acontecer." A torcida também é do técnico Larri Passos. O treinador ficou satisfeito, pelo menos, com o fato de seu pupilo ter voltado e não ter se entregado. "O importante foi o Guga ter terminado o jogo jogando bem", disse.
O argentino Guillermo Cañas lamentou não ter aproveitado a oportunidade para conseguir uma das melhores vitórias de sua vida. "Acho que tive minhas chances", afirmou Cañas. "Mas depois o Guga voltou a impor seu jogo, me deixou pressionado e não deu."
SáBADO - Na próxima rodada, só no sábado, Gustavo Kuerten terá pela frente um "freguês", Sjeng Schalken, na Holanda, jogador que jamais perdeu em quatro jogos já realizados. Mas, nem por isso, o brasileiro poderá se descuidar. Schalken, 63º do ranking, é um tenista bastante perigoso, que bate forte e no dia em que as suas bolas entram, pode conseguir resultados surpreendentes. Hoje, ele derrotou o espanhol Francisco Clavet por 3 sets a 2, parciais de 4/6, 6/3, 6/7 (7/3)
6/3 e 6/4.

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