Miami, 31 (AE) - Com um resultado perto do inacreditável
6/1 e 6/4, Gustavo Kuerten derrotou o número 1 do mundo, o norte-americano Andre Agassi, e conseguiu uma classificação inédita para a final do Ericsson Open, em Miami. A decisão do título será domingo, às 17 horas (horário de Brasília), diante do vencedor da outra semifinal entre Pete Sampras e Lleyton Hewitt, em melhor de cinco sets.
A classificação para a final de um torneio da série Masters já garante a Guga uma sensível melhora na sua posição da chamada corrida dos campeões. Pela primeira vez, o brasileiro aparecerá entre os dez primeiros, saindo do 26º lugar e alcançando a 5ª posição. No ranking mundial, deverá subir de 6º para 4º lugar, tanto se vencer a final ou não.
A vitória sobre Andre Agassi foi como uma vingança para Guga. O tenista norte-americano havia vencido os últimos quatro encontros e o brasileiro já parecia ter este retrospecto atravessado na garganta. O jogo começou com um surpreendente domínio de Gustavo Kuerten. Em pouco tempo, o brasileiro quebrou o serviço do adversário por duas vezes e fechou a primeira série por 6 a 1. No final do set, o norte-americano chamou atendimento médico e fez uma proteção para o tornozelo direito e, em alguns momentos, parecia mesmo estar sentindo problemas para movimentar-se.
Este fato poderia arranhar um pouco o brilho da vitória de Guga. Mas, por outro lado, o próprio brasileiro fez questão de lembrar as marcações dos juízes de linha, que sempre favoreciam o tenista norte-americano. Em várias bolas, Gustavo Kuerten foi prejudicado, com a anuência do árbitro de cadeira. Por sorte, ele não perdeu a cabeça, o que poderia prejudicar seu rendimento. "Este é um problema de se jogar fora do Brasil", disse Guga, um pouco irritado. "Sempre que se enfrenta um tenista como Agassi é assim: nos momentos importantes as marcações favorecem o tenista da casa."
A irritação de Guga, porém, não apagou seu entusiasmo pela impressionante vitória. O tenista estava eufórico e dizia-se motivado a buscar o seu primeiro título de quadras rápidas de sua carreira, na segunda final de Masters Series que faz nesta superfície. A primeira foi em 1997, em Montreal, quando perdeu para o norte-americano Chris Woodruff, quando também foi, coincidentemente, prejudicado por marcações do juiz.
"Estou num dos melhores momentos da minha carreira", assegura Guga. "Quero aproveitar esta fase e lutar por um título neste torneio." A campanha em Miami também mostra que o brasileiro já está bem mais adaptado às quadras rápidas, como as do Crandon Park, e mostrou estar bem mais íntimo dos segredos desta superfície.
"Ainda não posso ser chamado de um jogador de quadras rápidas", assegura Guga. "Sou ainda um tenista de saibro, mas não há dúvidas de que estou bem mais adaptado a este tipo de piso." Num clima otimista, Gustavo Kuerten sequer preocupou-se em comentar muito a provável contusão de Agassi. O tenista brasileiro disse que não percebeu nada no começo do jogo e que, durante a partida, soube jogar com inteligência para vencer os pontos e conquistar esta histórica vitória na competição.

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