Guga diz que atravessa sua melhor fase
Por Chiquinho Leite Moreira
São Paulo, 23 (AE) - De volta a condição de estrela dos grandes torneios, como o Super 9 de Montecarlo, Gustavo Kuerten disse uma verdade que causou espanto, em sua entrevista coletiva
após a vitória desta sexta-feira sobre o norte-amricanoVince Spadea: "Estou mais bem preparado para o circuito profissional hoje, do que quando ganhei Roland Garros em 1997." A comprovação deste fato, Guga está demostrando, com maior variedade de golpes em seu jogo e vitórias como na Copa Davis diante da Espanha e a classificação para as semifinais no principado de Mônaco.
Kuerten voltou a lotar a sala de entrevistas do Super 9 de Montecarlo, com imprensa internacional, como fazia na memorável campanha de Roland Garros em 97. O tenista brasileiro já é apontado como um dos favoritos para repetir o título em Paris, mas não se empolga e prefere manter os pés no chão. "Acho mesmo que estou com um jogo sólido e, por isso, venho conseguindo boas vitórias, mas vencer um Grand Slam exige muito mais", afirmou. "Estou apresentando o meu melhor tênis: posso dar diferentes golpes durante a disputa de um ponto e sair de situações difíceis."
Não há segredos para esta boa forma, como garantiu Kuerten. Para ele, isso é resultado de uma longa e boa preparação. Teve de amadurecer bastante e pagou caro por ter conquistado Roland Garros tão cedo, sem experiência e condições psicológicas para suportar pressões e mudanças. Hoje, parece estar bem mais tranquilo, como sempre gosta de enfatizar. Mas admite que ainda sofre com os altos e baixos. "Gostaria de manter este ritmo de jogo por bastante tempo", disse. "Mas algumas vezes eu jogo bem, outras nem tanto e, felizmente, sinto que esta semana está dando tudo certo."
Moda - O interesse pelo atual momento de Gustavo Kuerten fugiu da linha das quadras. O novo visual, cabelos curtos e brinco na orelha esquerda, e a melhora na fluência de seu inglês também transformaram-se em assunto durante a entrevista coletiva. Meio sem jeito, Guga não encontrou boas explicações para a decisão de usar brinco. Falou apenas que queria ser diferente, mas quando constestaram que não há como ser diferente usando um acessório comum aos tenistas, saiu-se bem. "Acho que é moda".
O inglês de Kuerten também chamou atenção. Os mais exigentes dizem que ainda é parco, mas, na realidade, vem mostrando desenvoltura e clareza muitas vezes devolvendo melhor do que as perguntas feitas. Para lembrar o clima de sua conquista de Roland Garros, voltaram a questionar sobre sua avó, já que Guga chegou a dizer que dona Olga era sua treinadora. Agora, o tenista só falou que talvez ela não goste muito do brinco "mas também não está assim tão ruim."





