Londres, 21 (AE) - A primeira vitória de Gustavo Kuerten no torneio de Wimbledon poderá ser na quadra central do All England Club. O chamado "templo do tênis" terá amanhã o brasileiro diante do inglês Chris Wilkinson, em partida que deverá começar por volta das 11h30 de Brasília. O jogo de Guga será logo a seguir ao da campeã do ano passado Jana Novotna, e a complementação da partida entre Anke Huber e Jennifer Capriati interrompida por falta de luz com empate de 7/5, 3/6 e 5/5. Depois de Kuerten e Wilkinson, Andre Agassi joga com Andrei Pavel.
Este será o terceiro jogo na carreira profissional de Kuerten em Wimbledon. Nos anos anteriores perdeu logo na estréia
em 1997 para Justin Gilmestob, e 98 para Jason Stoltenberg. Nas duas partidas, a decisão foi equilibrada e no quinto set. Agora, "mais esperto" como diz, espera por outro resultado e viu uma vantagem de enfrentar um tenista inglês: vai jogar na quadra central.
Para superar o nervosismo da estréia, Gustavo Kuerten assumiu uma postura totalmente descontraída em Wimbledon, sem tantas atribulações como em Roland Garros. Está sem família, namorada em Londres e alugou uma casa próxima ao All England Club para ir a pé para o clube. Está junto de Jaime Oncins, corintiano fanático, que com seu bom humor vem animando às noites londrinas.
A idéia é usar a descontração como estratégia em Wimbledon e, quem sabe, depois de uma boa estréia sonhar mais alto. Na casa, os jogadores brasileiros, também com as visitas de Andre Sá, seu técnico Fernando Roese e Adriano Ferreira (que passou o qualifying de duplas) já fizeram até um churrasco, sob a responsabilidade do gaúcho Larri Passos. Ele também prepara o café da manhã e cuida da alimentação dos jogadores, controlando tudo para estarem bem preparados.
"O Larri, às vezes, faz a comida, geralmente massa e peito de frango", conta Guga. "E no dia seguinte sempre tem um "requentê francês", ou seja, dá uma requentada em tudo e pronto." Outra tática para superar o nervosismo da estréia, em plena quadra central, diante de um jogador inglês, será a de fazer o aquecimento o mais próximo possível da hora do jogo. Com o corpo quente, depois de bater bola com Jaime Oncins, Guga espera entrar na quadra mais solto.
Numa quadra de grama, onde seu estilo de jogo não é dos mais favoráveis, Guga sabe que não pode esperar por muito. Por isso, resolveu não tentar muitas alterações no seu estilo. Aprendeu que o melhor a fazer é tirar o que tem de bom em seu jogo em quadras rápidas para usar em Wimbledon.
"Vou tentar bloquear a devolução de saque, sem procurar bater muito forte", diz. "Também não vou para à rede a toda hora, acho que o melhor é esperar a hora certa e surpreender o adversário." O tempo também está ajudando o tenista brasileiro. As quadras de grama costumam ficar mais escorregadias com chuva. Mas o se sol persistir, Gustavo Kuerten poderá ter mais chances de trocar bolas de fundo, como gosta, e buscar as definições dos pontos com algumas subidas à rede.
Em Wimbledon tudo é mais difícil para Kuerten. Até mesmo para treinar as condições são pouco favoráveis. Como há poucas quadras disponíveis, Guga e Oncins tiveram de dividir a quadra com outros dois jogadores. Assim, primeiro fizeram apenas um bate bola em paralelas. Depois combinaram com a outra dupla de só baterem cruzado e para a disputa de jogo, cada dupla ficava na quadra por dois pontos apenas e cedia a vez.
Para evitar estes problemas, as grandes estrelas do tênis, costumam alugar quadras fora de Wimbledon apenas para treinamentos.

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