Guerrilheiros derrubam helicóptero indiano
Nova Délhi, 28 (AE-AP) - A Índia sofreu nesta sexta-feira (28) um novo revés em sua campanha aérea contra guerrilheiros separatistas que se infiltraram na parte indiana da dividida Caxemira quando os rebeldes derrubaram com um míssil Stinger um de seus helicópteros Mi-17, matando os quatro tripulantes.
Uma aliança de grupos guerrilheiros que lutam contra o governo indiano na Caxemira, cuja maioria da população é muçulmana, anunciou ter derrubado dois helicópteros da Índia, mas oficiais indianos asseguram que apenas um foi atingido.
Na quinta-feira, a aviação indiana perdeu dois de seus caças, um MiG-27 e um MiG-21. O Paquistão anunciou ter derrubado os dois aviões, que teriam invadido o espaço aéreo paquistanês. Contudo, o governo indiano reconheceu que apenas um de seus caças foi atingido por um míssil terra-ar SAM-7 e sustentou que o outro avião caiu por problemas técnicos.
O uso de mísseis terra-ar - Stinger, de fabricação norte-americana, e SAM-7, de fabricação russa - pelos separatistas introduz um novo e letal elemento no conflito do subcontinente. Esses mísseis foram fornecidos por Washington e Moscou aos grupos guerrilheiros que eles apoiaram durante a guerra fria e acredita-se que muitas dessas armas ainda estejam em circulação.
O primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif anunciou hoje, durante manifestação pública em Karachi, ter conversado por telefone com seu colega indiano, Atal Behari Vajpayee, e dito a ele que a questão sobre a Caxemira não poderia ser resolvida sem negociações.
Segundo Sharif, Vajpayee concordou que não haverá solução para o conflito sem o diálogo. No entanto, o chefe de governo paquistanês advertiu que qualquer avião indiano que invadir o espaço aéreo de seu país será derrubado.
"O Paquistão está provocando o aumento do conflito", disse o vice-marechal da Aeronáutica indiana, S. K. Malik, à imprensa. Malik informou que foram intensificados hoje os ataques contra centenas de guerrilheiros muçulmanos. O governo indiano assegura que os rebeldes receberam apoio do Paquistão e entre eles estão vários mercenários afegãos.
A aviação indiana bombardeou hoje pelo terceiro dia consecutivo a região montanhosa de Kargil, Drass e Batalik, cerca de 100 quilômetros a nordeste de Srinagar, perto da linha de controle que divide, desde 1º de janeiro de 1949, o território himalaio da Caxemira entre a Índia e o Paquistão.
O general indiano J. J. Singh, diretor-geral de operações, disse que 24 militares indianos foram mortos em três semanas de confrontos, enquanto 131 foram feridos e 12 estão desaparecidos. O general indiano também estimou que mais de 200 rebeldes foram mortos.
O secretário-geral da ONU, Koffi Annan, manifestou preocupação com as hostilidades entre Índia e Paquistão, apesar de estar mantendo contatos telefônicos com Vajpayee e Sharif. Islamabad vem pressionando a favor do envolvimento da ONU na disputa territorial, que Nova Délhi considera um assunto interno.





