Bogotá, 03 (AE-AP) - Dezenas de guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) continuavam hoje (03) dentro de uma pequena usina hidrelétrica, onde retêm cerca de cem pessoas há quatro dias.
"Mantemos contatos permanentes e negociação", disse esta manhã à Associated Press, Liliana Velásquez, porta-voz da Empresa de Energía del Pacífico S.A. (EPSA). Velásquez, em entrevista por telefone, acrescentou que graças a essas negociações 23 pessoas saíram ontem do complexo em um ônibus - sete mulheres, 14 crianças e dois bebês -, todos familiares de empregados da hidrelétrica.
Em 31 de agosto, entre 60 e 70 rebeldes armados entraram na usina, que devido à sua remota localização - na região de Buenaventura, departamento de Valle del Cauca e a cerca de 350 quilômetros de Bogotá - mantém instalações com dormitórios e refeitório para os empregados e suas famílias. Velásquez garantiu que provisões de comida entram na usina sem problemas por parte dos insurgentes.
"A única coisa que se consegue com atos de vandalismo, como os que vêm ocorrendo, é diminuir as possibilidades de que essa Colômbia rural tenha direitos" ao serviço, disse esta tarde o ministro de Minas e Energia, Luis Carlos Valenzuela, em entrevista coletiva no palácio do governo.
A tomada "em termos de atenção ao consumidor é absolutamente nula", assegurou Valenzuela, descartando versões de um possível racionamiento na região. A produção da usina - cerca de 365 megawatts - que abastece grande parte do departamento é coberta pela rede de interconexão nacional, a empresa estatal colombiana.
As exigências dos rebeldes vão da redução de 30% nas tarifas até uma explicação da empresa sobre o destino dos US$ 500 milhões recebidos pela venda de 56% das ações, em janeiro de 1995, explicou Velásquez. O restante das ações está nas mãos do governo de Valle e de uma empresa regional, explicou.

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