Washington, 16 (AE) - Pelo menos 44 guerrilheiros e sete policiais e soldados morreram no sábado, em conflitos em três vilas a cerca de 50 quilômetros a sudeste de Bogotá, de acordo com o exército da Colômbia.
A julgar pelo anúncio oficial, foi a pior derrota sofrida, nos últimos anos, pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as Farc, o maior dos grupos de rebeldes que tenta, há 35 anos, derrubar o governo de Bogotá e hoje controla parte significativa do território do país.
Os combates, que começaram com um ataque das Farc à delegacia da polícia na em Guayabetal, coincidiram com dois outros eventos importantes para o futuro próximo da Colômbia e da campanha do governo Andrés Pastrana para vencer o narco-tráfico e pacificar o país, encerrando uma guerra civil que matou 30 mil pessoas nos últimos dez anos.
Em Cartagena, o histórico porto da costa caribenha do país, Pastrana recebia a visita da secretária de Estado dos Estados Unidos, Madeleine Albright, apenas dias depois de a administração Clinton ter anunciado que pedirá ao Congresso para aprovar uma ajuda de US$ 1,3 bilhão à Colômbia, nos próximos dois anos, além dos US$ 300 milhões já autorizados, para ajudar o governo de Bogotá a alcançar seu objetivo.
Paralemante, emissários das Farc e do governo Pastrana encontravam-se em lugar não revelado nas florestas do sul do país para mais uma sessão do processo de paz que o líder colombiano desencadeou, sem apoio americano, depois de assumir a presidência, em 1998.
"Eu prometo, em nome do presidente Bill Clinton e em estreita parceria com o presidente Pastrana, a buscar cem anos de paz e de democracia para ambas as nossas nações", disse Albright, num jantar na noite de sexta-feira que contou com a presença do escritor Gabriel Garcia Marquez, autor de "Cem Anos de Solidão" e prêmio Nobel de literatura, que apóia a "Plano Colômbia" de Pastrana. Albright visitou a alfândega de Cartagena, elogiou os esforços de interdição do governo, que inclui um sistema informatizado de acompanhamento e troca de informações do tráfego de navios com dezenas de portos. Nos últimos dezoito meses, 66 colombianos e quatro estrangeiros foram presos e o governo de Bogotá passou a extraditar para os EUA cidadãos formalmente acusados pela justiça americana de crimes de narcotráfico. Além disso, as autoridades apreenderam 30 toneladas de cocaína, 60,7 toneladas de maconha e 53,6 quilos de heroína. Segundo Washington, oitenta por cento das drogas ilícitas consumidas nos EUA vêm da Colômbia.
O aparente sucesso militar contra a guerrilha, no fim de semana, e o aumento das interdições de drogas ajudará a administração Clinton a garantir o apoio do Congresso americano ao novo pacote de ajuda à Colômbia. Quatro quintos do dinheiro será destinado à assistência militar, incluindo o fornecimento de 63 helicópteros (30 Huey UH-1N e 33 Black Hawk) e de equipamento de inteligência e o treinamento de três batalhões do exército especializados para combater o narcotráfico.
O restante será investido no desenvolvimento de cultivos alternativos à coca, a canabis e a papoula e no fomento de outras atividades econômicas, bem como em atividades de fortalecimento da democracia, como a reforma do sistema judiciário e a promoção dos direitos humanos.
A proposta da administração conta com mais apoio da maioria republicana na Câmara e no Senado do que dos correligionários democratas de Clinton e Albright.
Ciente disso, a secretária de Estado disse, em Cartagena, que o apoio de Washington ao Plano Colombia "repousa na premissa de que vocês continuarão a agir de maneira apropriada contra os violadores dos direitos humanos, sejam eles militares, paramilitares, guerrilheiros ou criminosos comuns". "Vocês já fizeram tremendo progresso nessa questão, mas todos sabemos que há mais a ser feito e queremos ouvir suas idéias sobre como podemos continuar a avançar", disse ela.
Respondendo a uma outra preocupação que o aumento da ajuda militar americana à Colômbia provoca não apenas em Washington, mas também em capitais sul-americanas, como Brasília, Albright enfatizou que a assistência de US$ 1,3 bilhão não representa uma intervenção nos assuntos internos do país andino e que a participação dos EUA depende inteiramente da determinação com que as autoridades colombianas levarão adiante seu programa.
Ela disse que as ações armadas não devem se restringir aos guerrilheiros, que em várias áreas do país protegem e confundem-se com os narcotraficantes que os financiam. "Está absolutamente claro que, se o governo da Colômbia quiser executar um programa vigoroso de lei-e-ordem, terá que ir atrás e atacar os grupos paramilitares". No passado, esses grupos agiram com o beneplácito e a cobertura dos militares colombianos. Um lei nos EUA, conhecida pelo nome de seu proponente, o senador democrata de Vermont, Patrick Leahy, proíbe que dinheiro da ajuda militar americana seja fornecido a unidades militares no exterior que tenham violadores dos direitos humanos em suas fileiras.
A Colômbia já é o terceiro maior beneficiário da assistência militar americana, depois de Israel e Egito. Ao anunciar o incremento da ajuda, Albright reiterou o apoio de Washington aos esforços do presidente Pastrana para buscar a paz com os guerrilheiros na mesa de negociações e não no campo de batalha. Michael Hammer, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, disse na sexta-feira que o "objetivo estratégico da ajuda à Colômbia é uma resolução política do conflito". Essas declarações refletem uma preocupação da diplomacia americana de, até onde isso for possível, fazer uma distinção entre o combate ao narcotráfico e o conflito entre Bogotá e os rebeldes, evitar a militarização da Colômbia e estabelecer um limite para o envolvimento dos EUA na mais antiga e violenta guerra civil da América Latina.
Albright é a mais alta funcionária americana a ir a Colômbia em uma década. Sua viagem incluiu também escalas no Panamá e no México.

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