Guerrilha intensifica ataques às vésperas de possível trégua
Bogotá, 14 (AE-AP) - Às vésperas de uma possível trégua de Natal e da virada do ano 2000, a guerrilha promove uma intensa ofensiva contra povoados, delegacias de polícia, bases militares e a infra- estrutura energética da Colômbia.
Nas últimas 72 horas foram mortas cerca de cem pessoas, incluindo fuzileiros navais, policiais, soldados, guerrilheiros e civis em ataques das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em diversos pontos da nação.
"Registramos com dor esses atos vandálicos, mas a realidade é que estamos envolvidos numa guerra que tem de se resolvida pela negociação e diálogo político", disse o ministro do Interior, Néstor Humberto Martínez, na noite de ontem no Congresso, onde o governo obteve novos poderes para continuar negociando com a guerrilha.
Martínez acrescentou que enquanto se busca concretizar o sonhada de paz, o exército colombiano está combatendo "com profissionalismo para não continuar perdendo essa triste batalha na qual estamos envolvidos".
O ministro pediu à guerrilha "gestos de paz que nos permitam continuar avançando em direção à reconciliação do país". É esperado que as Farc, o maior e mais antigo grupo guerrilheiro da Colômbia, anunciem uma trégua de Natal e Ano Novo a partir de segunda-feira.
"Do jeito que vão as coisas, a trégua serviria apenas para recolher os mortos", disse o ex-chanceler Augusto Ramírez Ocampo, membro da Comissão de Conciliação da Igreja católica, ao condenar a estratégia da guerrilha de intensificar a violência para depois decretar o cessar-fogo temporário.
Segundo analistas, a guerrilha sempre tem recorrido à estratégia de ofensiva militar quando se aproximam acontecimentos importantes dentro do processo de paz.
Durante este ano, no qual representantes do governo e da guerrilha participaram de reuniões para definir a agenda e a metodologia das negociações de paz, a violência guerrilheira cresceu 23,6% em relação a 1998, passando de 30 a 37 ataques mensais, segundo dados do Observatório da Ordem Pública, um órgão privado que estuda o fenômeno da violência.
Também foram derrubadas 170 torres de energia elétrica e o oleoduto Caño Limón Coveñas sofreu 73 atentados a bomba, nos quais foram derramados 200 mil barris de petróleo.
A maioria dos ataques contra instalações petrolíferas e elétricas é atribuída ao Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia, com o qual o governo espera iniciar no ano que vem um processo de paz semelhante ao que está envolvido com as Farc.





