SAN VICENTE DEL CAGUAN, Colômbia, 19 (AE-AP) - O interesse do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no processo de paz da Colômbia "é louvável" e se inclui nos ideais bolivarianos, disse nesta quinta-feira (19) um dos dirigentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Mas, ele disse que a Venezuela não deve temer as incursões das Farc em seu território porque "nós desenvolvemos uma política de amizade e entendimento com todos os países do mundo, ainda mais com a pátria de Simón Bolívar, herói e libertador que também é guia da ação política e militar das Farc".
Felipe Rincón, comandante móvel das Farc e integrante do comitê de audiências que atua na zona desmilitarizada do sudeste do país, manifestou à Associated Press que o desejo do presidente venezuelano de encontrar-se com Manuel Marulanda, fundador e líder das Farc, "reflete o interesse do governo venezuelano em contribuir com o processo de paz".
Rincón declarou que a possível reunião do presidente venezuelano com o líder da guerrilha é um assunto manejado pelo secretariado das Farc.
No entanto, o chanceler Guillermo Fernández de Soto disse que qualquer intervenção de um governo estrangeiro no processo de paz deve precisar de autorização ou ser solicitada ao governo colombiano.
Rincón negou-se a comentar a posição do governo colombiano, mas disse que Chávez tem o direito de "conversar com quem quiser porque é uma decisão autônoma do governo venezuelano".
Agregou que com sua atitude, Chávez "recolhe a aspiração bolivariana, pois Colômbia e Venezuela são um território que, no processo histórico de formação de nossas nações, caminharam juntas".
Segundo Rincón, as Farc têm como política "não utilizar territórios estrangeiros" em sua luta contra o estado colombiano, apesar de as autoridades militares colombianas assegurarem que a guerrilha foi a autora do sequestro de um avião venezuelano devolvido com seus passageiros domingo passado.
Ainda nesta quinta-feira, o presidente Hugo Chávez garantiu que gostaria que seu colega colombiano, Andrés Pastrana, estivesse presente em suas eventuais conversações com a guerrilha desse país. "Desejo profundamente que se alguma vez vier a me reunir com os chefes da guerrilha colombiana, o presidente Pastrana esteja presente."

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