Guerrilha diz que não entrará em países vizinhos
Bogotá, 30 (AE-AP) - A guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) garantiu hoje (30) que sua política de fronteiras exclui a incursão em território dos países vizinhos e denunciou que os Estados Unidos buscam intervir na Colômbia, Panamá e Venezuela.
Em um comunicado colocado na Internet, as Farc lembraram que desde 1996 estabeleceram normas que "proíbem sob qualquer consideração a incursão de seus homens em território de países vizinhos".
Entretanto, o governo da Venezuela tem denunciado reiteradamente as incursões das Farc e do Exército de Libertação Nacional (ELN) em seu território, especialmente para sequestrar e extorquir criadores de gado.
"Não se metam em nosso território, porque teremos de responder", foi a advertência feita ontem à guerilha colombiana pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, no Rio de Janeiro.
Em conversa com jornalistas colombianos, Chávez reiterou sua disposição de encontrar-se com Manuel Marulanda, líder das Farc, a fim de "buscar e clamar pela paz na Colômbia".
A guerrilha acusou o governo dos Estados Unidos de inventar perigos inexistentes de incursões das Farc em países vizinhos da Colômbia com o intuito de preparar uma intervenção militar.
"O imperalismo norte-americano se prepara para intervir militarmente na Colômbia, descumprir os tratados Torrijos-Carter (sobre a entrega do Canal do Panamá) e desestabilizar o processo democrático iniciado na Venezuela", disse o comunicado da guerrilha.
Ela acrescentou que uma intervenção militar na Colômbia, ainda que disfarçada como força de paz das Nações Unidas, "criaria um conflito militar de grandes proporções e consequências imprevisíveis no hemisfério, com altos custos para os povos da América Latina".
O governo colombiano e as Farc darão início em 7 de julho a negociações visando encontrar uma saída negociada para o conflito interno de 35 anos. A guerrilha afirmou que esses diálogos "podem concluir com a paz desejada".





