Bogotá, 20 (AE-AP) - Depois de ter lançado uma feroz ofensiva nas últimas duas semanas, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) anunciaram hoje (20) uma trégua unilateral de Natal e ano-novo. O presidente colombiano, Andrés Pastrana, por sua vez, recebeu com "entusiasmo" a decisão do maior grupo guerrilheiro do país.
"As Farc oferecem ao povo colombiano um cessar fogo unilateral de suas ações contra as forças de segurança do Estado a partir de 20 de dezembro até a meia-noite de 10 de janeiro de 2000", diz um comunicado lido pelo porta-voz das Farc, Raúl Reyes, e transmitido por cadeia de rádio e televisão.
O comunicado afirma ainda que com "essa decisão, os colombianos poderão celebrar as festividades de fim de ano e começo de milênio com seus familiares e amigos, sem os estrondos
mortos e feridos causados pela confrontação armada".
Entretanto, o comunicado também afirma que as Farc "se reservam no direito de responder militarmente a qualquer agressão das forças de segurança estatais ou paraestatais durante o período de trégua das operações militares".
Demonstrando confiança, o presidente Pastrana disse que essa decisão pode afiançar o processo de paz já em curso na Colômbia. "É um gesto que o governo havia pedido com insistência e por isso valorizamos sua importância. Espero que seja o início de uma mudança de atitude que humanize a confrontação e facilite o caminho do dialogo", afirmou Pastrana em um discurso pronunciado ao meio-dia (horário local).
Inicialmente, as Farc, a maior e mais antiga guerrilha colombiana, exigiram de Pastrana a solução de todos os problemas sociais e econômicos do país antes que a trégua oferecida pelo governo fosse aceita. Além disso, o grupo lançou uma ofensiva contra 17 municípios, na qual morreram mais de 200 pessoas, incluindo policiais, militares e guerrilheiros.
A ofensiva durou até a madrugada de hoje, quando nove soldados foram mortos depois de caírem em um campo minado preparado pelos guerrilheiros das Farc. O incidente ocorreu próximo ao município de La Jagua del Pilar, a 670 quilômetros ao norte de Bogotá.
O segundo maior grupo guerrilheiro do país, o Exército de Libertação Nacional (ELN), e as Autodefesas Unidas da Colômbia (paramilitar), também deverão anunciar uma trégua nas próximas horas.

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