''Guerreiros'' iniciam cedo a luta pela subsistência familiar
Curitiba- A situação mundial das comunidades indígenas é repetida em várias localidades brasileiras. De acordo com a assessoria de imprensa do Unicef, os maiores problemas nacionais são relacionados à dificuldade do acesso à terra, fragilidade do atendimento à saúde, educação deficiente e falta de registro civil. Dados nacionais revelam ainda que uma criança indígena tem sete vezes mais chance de se tornar um adolescente analfabeto do que uma criança branca. As maiores concentrações de índios são registradas nos estados da Bahia, Pernambuco, Ceará, Amazônia, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
No Paraná, algumas aldeias enfrentam o problema da fome. De acordo com o coordenador do Grupo de Apoio aos Povos Oprimidos do Paraná, Carlos de Paula, a política indigenista nacional é deficitária e o índio tem aceito passivamente a cultura imposta pelo progresso pregado pelo ''branco''. ''São as mazelas da cultura por causa do progresso. Uma cultura que tem sufocado a cultura das tribos indígenas'', afirmou ele.
Carlos de Paula relata que as crianças indígenas muito cedo iniciam a luta pela subsistência da família. Entre os sete e oito anos, as crianças já começam a participar da caça e do corte de madeira e palmito. As tarefas domésticas também fazem parte do dia-a-dia dos adolescentes, que auxiliam as mães a lavar roupas nos rios, preparar os alimentos e fazer peças de artesanato.
Nem todas as tribos contam com escolas próximas. No Paraná, são contabilizados pouco mais de 9 mil índios em 17 terras, que perfazem um total de 85,3 mil hectares. Os locais onde os índios estão concentrados são: Palmas, Mangueirinha, Rio das Cobras, Ocoy, Marrecas, Ivaí, Rio D' Areia, Faxinal, Queimadas, Mococa, Apucaraninha, Barão de Antonina, São Jerônino da Serra, Laranjinha, Pinhalzinho, Ilha da Cotinga, Guaraqueçaba e Tekoha-Anêtelê.
O maior número de índios está localizado no Rio das Cobras. Lá, oito aldeias caingangue, guarani e xetá concentram cerca de 2,3 mil índios. As aldeias ficam nos municípios de Nova Laranjeiras e Espigão Alto do Iguaçu. Com mais de 1,6 mil índios, a região do Mangueirinha tem seis aldeias das tribos caingangue e guarani. As aldeias estão concentradas nos municípios de Chopinzinho, Mangueirinha e Coronel Vivida. A terceira maior concentração de índios está na localidade de Ivaí, onde três aldeias da tribo caingangue reúne 877 índios dos municípios de Manoel Ribas e Pitanga.
A Assessoria de Assuntos Indígenas do Paraná informa que em muitos locais as tribos passaram por um processo de descaracterização, com índios tendo vergonha inclusive de falar a própria língua nativa. Algumas ações estariam sendo implementadas para reverter o quadro. Entre elas: o resgate da memória indígena, valorização da cultura através da educação, preservação arqueológica, educação escolar intercultural e bilingue, acesso ao ensino fundamental, assistência ambulatorial, entrega de insumos e medicamentos para as comunidades indígenas, valorização da medicina tradicional dos índios, programas de integração da criança, redução dos índices de desnutrição e de mortalidade infanto-juvenil e recuperação de áreas degradadas.(L.P.)





