São Paulo - Pelo menos 52 pessoas já morreram em uma seqüência de pelo menos cem atentados contra policiais, guardas civis, agentes prisionais, quartéis, delegacias e bases cometidos por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), desde a noite de sexta-feira. Além dos ataques, o Estado de São Paulo enfrenta uma megarrebelião nos presídios, na maior ofensiva do crime organizado já registrada no País. Ao todo, 24.472 detentos de 24 unidades prisionais se rebelaram e fizeram 129 reféns. Dos mortos nos atentados, 35 são policiais. Além disso, 53 pessoas ficaram feridas. A polícia prendeu 17 suspeitos.
  A seqüência de ataques seria uma reação dos integrantes da organização criminosa à transferência de seus líderes para a carceragem do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em São Paulo, e para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Mas a transferência foi feita justamente porque o governo descobriu que o PCC planejava uma megarrebelião para este final de semana.
  O governador Cláudio Lembo (PFL) tentou tranquilizar a população e prometeu utilizar todo o aparato do Estado para garantir a segurança. ‘‘São Paulo não se dobrará ao crime’’, disse Lembo. O secretário da Segurança Pública, Saulo Abreu, afirmou que a reação do PCC era previsível. O governador informou que o Estado providenciará assistência às famílias de civis e militares mortos. Cada família de policial receberá R$ 100 mil de seguro de vida.
  O governo de São Paulo informou que 16 rebeliões em presídios do Estado foram controladas até a tarde de ontem, mas 60 ainda continuam nas cadeias públicas, centros de detenção provisória e penitenciárias.

  Repúdio - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB) divulgou ontem uma nota de ‘‘veemente repúdio aos brutais e estarrecedores atos de violência planejados e praticados pelo crime organizado’’. Segundo os bispos, reunidos na Assembléia Geral, em Indaiatuba, ‘‘nenhum motivo justifica essas atrocidades, que deixam a população amedrontada e ainda mais desprovida da segurança a que tem direito’’.

  Sindicato - O presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp), Cícero Sarnei dos Santos, disse ontem que vai pedir ao Ministério Público Estadual uma investigação rigorosa dos ataques e rebeliões que causaram a morte de agentes, policiais e civis. Segundo ele, o governo tem responsabilidade pelo ‘‘caos’’ que se instalou no sistema prisional.

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