Lima, 07 (AE) - "Minha relação com o (Alberto) Fujimori limita-se a uma guerra violenta e permanente - uma guerra muito agradável para mim." Assim o prefeito de Lima e candidato à presidência nas eleições de domingo, Alberto Andrade, um dos mais ferrenhos adversários políticos do presidente peruano, define sua relação com o Executivo.
"Gosto de enfrentá-lo porque até agora tenho levado a melhor, nas eleições para a prefeitura de Lima, em 1997, e nesses anos que venho administrando a cidade."
Andrade chegou a liderar as pesquisas de intenção de voto no início da campanha, em janeiro. Era tido como o favorito para desbancar o presidente, a quem qualifica de ditador. Mas esse protagonismo antifujimorista custo-lhe caro. Tornou-se o alvo favorito das críticas dos pasquins sensacionalistas pró-Fujimori.
Depois de chegar a 36% nas pesquisas, começou a cair sob o peso da campanha negativa. Foi acusado de pretender libertar guerrilheiros do Sendero Luminoso, de usar mal o dinheiro de Lima, de perseguir camelôs, entre outras coisas. Às vésperas da votação, não tem mais do que 7% das intenções de voto e suas chances de passar para o segundo turno são quase nulas.
Mas pode ser a figura-chave para que o oposicionista Alejandro Toledo vença Fujimori, caso nenhum candidato se eleja no primeiro turno. Andrade, porém, diz nem pensar nessa possibilidade, por enquanto.
O prefeito de Lima, que recebeu hoje a reportagem da Agência Estado em sua casa, assegura ter em mãos pesquisas que lhe dão confiança de que será ele o adversário de Fujimori no segundo turno. "Não há nada definido ainda, pois o número de indecisos é muito grande." Diferentes institutos estimam essa cifra entre 20% e 30%. "Vamos esperar para ver o que dizem as urnas."
Andrade teme que uma fraude em favor de Fujimori possa tirar dos oposicionistas a oportunidade de mudança de governo. Para analisar essa situação e tentar sair das eleições com uma força política suficientemente consistente para fazer frente à bancada fujimorista no Congresso, líderes dos principias partidos de oposição firmaram um pacto de governabilidade. O prefeito de Lima afirmou que esses partidos, aos quais denomina de oposição democrática, contemplam três planos de ação ante a eleição de domingo: - A formação de uma frente de oposição sólida, caso Fujimori vença as eleições de modo limpo. - O apoio incondicional dos demais partidos ao candidato da "oposição democrática" que enfrentaria Fujimori num segundo turno. - A retirada coletiva dos partidos de oposição do processo eleitoral, num protesto contra uma possível fraude.
"Este seria um caso extremo. Já foi considerado, mas nem todos os partidos concordaram em abandonar a disputa naquele momento", disse Andrade.
Sobre Toledo, o prefeito disse que o considera um homem sério, do qual é amigo. Dias antes, num discurso de campanha de seu partido, o Somos Todos Peruanos, tinha feito referência negativa ao fato de a mulher de Toledo, a influente Eliana Karp, ser belga. "Aqui, somos todos peruanos; até minha mulher é peruana", tinha dito Andrade.
À AE, o prefeito de Lima disse não ver nenhuma possibilidade de que discursos feitos durante a campanha eleitoral possam motivar rompimentos entre integrantes dos partidos de oposição.

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