Guerra pelo controle de presídios provoca mais duas mortes no Rio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Andréia Maia 
Rio, 16 (AE) - A guerra entre grupos rivais pelo controle dos presídios do Rio, principalmente o Terceiro Comando e o Comando Vermelho, este último um dos mais tradicionais, provocou hoje a morte de mais dois detentos do Instituto Penal Milton Dias Moreira, no Complexo Penitenciário da Rua Frei Caneca, no centro. Ambos foram encontrados enforcados e. Por causa dos crimes, o Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe) realizou hoje uma das maiores transferências de presos dos últimos anos: 896 internos do Milton Dias Moreira foram levados para o recém inaugurado Bangu IV, presídio de segurança máxima, na zona oeste da cidade.
A medida visa evitar novos assassinatos, a exemplo do de hoje e do que aconteceu há um mês, quando um dos líderes do Comando Vermelho, Francisco Viriato de Oliveira, o "Japonês", e seu filho, Washington Luís Miranda de Oliveira, foram assassinados a tiros no mesmo presídio, por rivais do Terceiro Comando. A polícia ainda não identificou a qual comando os mortos pertenciam, mas acredita que os assassinatos tenham relação com a morte de "Japonês". Além do Comando Vermelho e do Terceiro Comando, havia no presídio Milton Dias Moreira dois outros grupos rivais: Comando Jovem e Comando Neutro.
De acordo com o secretário estadual de Justiça, Sérgio Zveiter, operação de transferência dos presos já estava prevista desde a inauguração de Bangu IV, no início do mês. Um grupo de 175 policiais foi mobilizados para o acompanhar o transporte e durante os 40 quilomêtros do percurso não houve incidentes, embora houvesse o temor de resgates. Todos os transferidos são condenados a penas de mais de dez anos, na maioria por homicídios, assaltos e tráfico de drogas. São considerados presos de alta peculosidade. Os detentos foram transferidos em duas etapas em carros e ônibus da polícia. Rebelião - O secretário afirmou que não acredita que possam ocorrer rebeliões em Bangu IV, já que os presos vão trabalhar, estudar e praticar esportes. Eles vão confeccionar carteiras e uniformes escolares para colégios estaduais, além de material esportivo, como bolas de vôlei e futebol, para jovens carentes de projetos sociais do governo. Com isso, os detentos poderão ter a pena reduzida: a cada três dias trabalhado, menos um dia de pena. "Não pode ter ociosidade", disse Zveiter. Ele acrescentou que o presídio Milton Dias Moreira será transformado em Casa de Custódia - local para receber os presos ainda sem julgamento. O presídio é cercado pelos morros da Mineira, Zinco Fogueteiro e Falet, dominados por criminosos ligados ao Comando Vermelho. Mortes - O delegado da 6ª Delegacia Policial (Cidade Nova), Juber Baesso, disse que os detentos Sideni dos Santos, de 47 anos, o "Pintinho", e Jorge Luiz Gomes da Silva, de 32 anos, o "Mentirinha", foram encontrados enforcados na galeria C do Pavilhão Fleury. Santos foi condenado a dez anos por formação de quadrilha e tráfico de drogas. Já Silva foi condenado a cinco anos de reclusão por assalto a mão armada. Não se sabe se eles eram ligados a "Japonês" ou seu inimigo. Mais morte - O detento Sidney Bandeira Neves, morreu no final da tarde de terça-feira hospital penitenciário vítima de um ataque cardíaco. Embora também fosse interno do Milton Dias Moreira, ele não tinha, de acordo com o Desipe, ligações com os comandos.


