Guerra na Iugoslávia pode acelerar a ampliação da UE
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quarta-feira, 12 de maio de 1999
por Niccolo Sarno, da IPS (assinatura obrigatória) 
Bruxelas (AE-IPS) - Os ministros de Finanças da União Européia (UE) examinaram esta semana as possibilidades de revisar o orçamento anual da UE devido ao conflito dos Bálcãs, que põe em perigo a paz e a estabilidade do continente. A União Européia considera o sudeste da Europa uma região de "importância estratégica fundamental" para seu futuro, dado o rápido deterioramento da situação da Iugoslávia e de seus vizinhos. O colapso econômico dos países dos Bálcãs e o enorme custo que implicará a reconstrução da Iugoslávia obrigam o Ocidente a elaborar uma cuidadosa estratégia econômica e política de longo prazo, sustentaram os funcionários da UE.
A colocação em dia dos planos de reforma e a expansão da UE para o oriente da Europa deveriam ser aceleradas para enfrentar as consequências políticas da guerra da Iugoslávia. A ampliação da UE é coerente com a história e os objetivos da União e constitui um passo necessário não só para promover seu crescimento econômico, como também para deter a imigração ilegal procedente da Europa oriental. A crise do Kosovo poderia acelerar as conversações sobre a integração à União Européia da Bulgária, Eslovênia, Estônia, Hungria, Polônia, República Checa e Romênia, advertiu um alto funcionário da UE semana passada em Bruxelas. Nove países da Europa central e oriental estão na lista de espera para ingressar na UE. Tratam-se dos sete já mencionados e da Eslováquia e Lituânia, aos quais se agregam Chipre, Malta, Suíça e Turquia, completando um total de 13 aspirantes.
No mês passado altos funcionários da UE e da Albânia se reuniram para discutir a possibilidade de Tirana se unir à lista
uma iniciativa que há poucos meses seria impensável. O primeiro-ministro da Albânia, Pandeli Majko, manifestou em Bruxelas seu desejo de que a Albânia possa se integrar à UE nos próximos 10 anos, uma vez que seja recuperada a paz nos Bálcãs. Ele agregou que a ajuda a seu país será essencial para assegurar a paz e a segurança na região. Mas as decisões políticas de importância podem atrasar até pelo menos o outono boreal, devido à renúncia em março de todos os membros da Comissão Européia, órgão executivo da UE, que foram acusados de incompetência, corrupção e falta de responsabilidade. A comissão substituta está se mantendo de forma provisória e por enquanto não pode tomar decisões. Os 20 futuros comissários, que serão eleitos pelo novo presidente da Comissão Européia, o ex-primeiro-ministro italiano Romano Prodi, não assumirão suas funções até setembro. E as decisões poderiam atrasar ainda mais. Na semana passada, alguns membros do Parlamento Europeu advertiram Prodi que não hesitariam em postergar sua aprovação anterior dos candidatos à nova Comissão se estes não apresentarem antecedentes de qualidade suficientes.
A ampliação para a Europa oriental colocará à prova a capacidade da UE de enfrentar a resistência de alguns estados membros que não desejam pagar o custo do ingresso de países pobres. No entanto, especialistas em ajuda humanitária advertiram que o custo da reconstrução dos Bálcãs aumenta mais rápido do que se esperava. Esse custo poderia ser de US$ 30 bilhões, segundo expressaram funcionários da UE na assembléia que o Fundo Monetário Internacional realizou em Washington no final de abril. Mas esse cálculo levava em conta cerca de 650 mil refugiados albaneses do Kosovo, que agora são em torno de 950 mil. "À luz do ocorrido desde então, o custo da reconstrução do Kosovo, sem contar o resto da antiga Iugoslávia, se multiplicou por 10 ou 20", declarou semana passada Steve Allen, representante especial da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). Allen agregou que o apoio financeiro do Ocidente aos Balcãs poderia ter que se prolongar por anos.
A Europa ocidental deverá destinar recursos financeiros substanciais à região, além de enfrentar este ano a debilitação do crescimento econômico da UE anunciado no fim de abril pela Comissão Econômica da Organização das Nações Unidas para a Europa. "O prolongamento da guerra imporia pressões sobre o gasto em defesa dos governos", e os recursos adicionais "deveriam ser obtidos mediante reformas em outras partes do orçamento ou através do aumento dos impostos, já que se prevê um déficit fiscal", advertiu a Comissão Econômica em seu informe. O diretor da Comissão Econômica, Yves Berthelot, assinalou que o conflito da Iugoslávia causou um "impacto dramático" em muitos países em transição para a economia de mercado. O informe anuncia uma situação econômica crítica para esses países, entre os quais menciona a Albânia, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Croácia, Hungria, Macedônia e Romênia. As nações do sudeste da Europa serão as mais prejudicadas pela guerra, uma vez que a situação econômica da maioria já era precária antes do começo do conflito, observou a Comissão.


