Agência folha
Do Rio
Seis rapazes, todos com idades entre 17 e 22 anos, foram mortos ontem de madrugada no morro do Cerro-Corá, no Cosme Velho (zona sul), em consequência de uma disputa de grupos rivais pelo comando do tráfico no morro. Segundo a polícia, os mortos eram traficantes. A invasão do Cerro-Corá aconteceu por volta de 2h30, quando cerca de 60 homens armados entraram no morro.
Eles vinham em busca dos chefes do tráfico, que foram chamados em casa a pretexto de conversar sobre o movimento de drogas. Todos foram levados para a rua principal do morro e executados com vários disparos nas costas e na cabeça. Não houve troca de tiros, mas uma chacina motivada por vingança. Os tiros duraram aproximadamente 45 minutos.
Enquanto atiravam, os traficantes gritavam: ‘‘Morre! Vai morrer!’ Os gritos foram ouvidos em toda a região próxima ao morro, no Cosme Velho e Santa Tereza (zona sul). Entre os mortos estavam dois rapazes apontados como líderes do tráfico no morro, os irmãos Alex Tavares da Silva, o Nem Olhão, 22 anos, e Adaílton Tavares da Silva, o Marrom, 20.
Os invasores agiram sob o comando de um traficante identificado como Rondinelli Silva, expulso do Cerro-Corá depois da morte do antigo líder do tráfico no local, Paulo Roberto Santos e Silva, o Bruxo. Com a morte de Bruxo, durante a explosão de uma bomba de fabricação caseira, Nem Olhão assumiu o comando e expulsou o rival.
Os moradores do morro ouviram os gritos e os tiros, mas, com medo, ficaram em casa. Quando os invasores fugiram, começou a movimentação para identificar os mortos. ‘‘O que é que eu podia fazer? Quando ouvi os tiros, pensei: Ai, meu filho. Eu já vinha me preparando para isso, a vida que ele tinha não podia levar a coisa boa’, disse Neuza Figueiredo, mãe de Demétrio Figueiredo da Silva, 19 anos, uma das vítimas.
Os outros três mortos são Paulo Henrique da Conceição, o Marrinha, 22 anos,
Fernando Oliveira Balseiro, o Pepé, 17, e um outro rapaz identificado apenas como Bessa.
A Polícia Militar chegou ao Cerro-Corá de madrugada, mas não conseguiu mais localizar os invasores. Um grupo de 25 PMs ficou patrulhando o morro. O comandante em exercício do 2º Batalhão de Polícia Militar, em Botafogo (zona sul), tenente-coronel Jorge Sérgio de Freitas, disse que a invasão foi planejada com antecedência.
Ontem pela manhã, o tenente-coronel Freitas considerava a situação do morro ‘‘tranquila’’. ‘‘Não há um desespero social. Agora, o grupo que venceu vai assumir o comando do tráfico’’, afirmou.
No morro, o clima entre os moradores era de medo. Ninguém queria falar da chacina. Parentes dos mortos choravam, mas não houve tumulto.