Guerra de informações mostra novos rumos da reestruturação
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2000
por Viviane Mottin 
São Paulo, 21 (AE)- A reestruturação petroquímica desenhada pelo governo e consolidada pela intenção do BNDESPar de participar com o Ultra da compra da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene) não está agradando aos players do setor. Mas eles costumam jogar como enxadristas. Totalmente em silêncio. Deixam fluir comentários sobre os concorrentes, escondem outras, e o certo é que, com o vaivém de declarações, capitalizam seus objetivos. Em meio a guerra de informações, sequer o valor da Copene, até hoje, por exemplo, foi definido.
Nesse quadro, há especulações para todos os gostos. Para começar, a venda da Ciquine, controlada pela Conepar (ex-Banco Econômico) para a Eastman. A desistência de fato da Petroquímica Triunfo de participar no leilão da Politeno, primeiro passo para quem quisesse comprar a Copene. Com isso, a Dow perderia a vez, já que é acionista da Triunfo junto com a Petrobras Química (Petroquisa), que barrou o negócio. Por isso, a Dow não gostou de ver o Ultra apoiado pelo governo para a compra da Copene.
E nem gostará de saber que um dos diretores do grupo Ipiranga esteve com o presidente do BNDES, Andrea Calabi, esta semana, dizendo que também quer comprar a Copene, caso a sociedade proposta para o Ultra também valha para sua indústria. E a troca de ativos entre Petrobras e Repsol/YPF leva o mercado a entender que a dupla Petrobras/Repsol é outra forte candidata a levar a Copene - sem necessariamente o auxílio do BNDESPar.
"A Dow considera difícil de compreender esse eventual retorno do governo ao setor, tendo em vista a política defendida até aqui de abertura da economia e de ênfase no processo de privatização", informa o presidente da Dow Química, Peter Berner, dos Estados Unidos, por meio de nota divulgada por sua assessoria de imprensa no Brasil. Para uma empresa que raramente se expõe, a nota divulgada dá bem a dimensão da complexidade a que chegaram as negociações.
O presidente afirma que a Dow não mantém qualquer negociação com o Banco Central , nem com os grupos Odebrecht e Mariani, no que se refere à compra do controle da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene). Mas, condena o retorno do governo ao setor petroquímico, tendo em vista a política defendida até agora, de abertura da economia e de ênfase no processo de privatização. A holding alega que atua no Brasil há 43 anos, investindo, criando empregos e desenvolvendo novos produtos que atendem às exigências de clientes e consumidores.
Quer continuar investindo no País e mantém forte interesse no desenvolvimento de suas atividades naquele pólo. A Copene é a central de matérias-primas de Camaçari, disputada por grupos como Ultra, Repsol/YPF e Basf. "A Dow gostaria de informar que continua mantendo forte interesse no desenvolvimento de suas atividades no pólo e que está avaliando todas as oportunidades", diz a nota.
Sobre a fusão com a Union Carbide, Peter Berner afirma que a companhia aguarda decisão do departamento antitruste dos Estados Unidos, para depois delinear os rumos da nova empresa. No Brasil, a análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre se a união da Dow com a Union no Brasil configura concentração econômica, deverá ser concluída antes da decisão americana, prevista para este semestre.
Apesar do interesse da Eastman na Ciquine, a Monsanto já ocupa uma área administrativa dentro da empresa com quem tem afinidades em produção química - aliás, muito mais do que a Ciquine com a Eastman.
No Rio Grande do Sul, a recém-inaugurada Innova (que produzirá plásticos para descartáveis), 100% sob controle do grupo argentino Perez Companc, pode ser vendida à Basf. Segundo a companhia, esse é um boato antigo. Mas fontes muito confiáveis do mercado dão conta de que a venda está prestes a acontecer.


