Guerra de farmácias vai parar no Cade
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As farmácias que estão oferecendo descontos acima de 20% terão que suspender a prática até a próxima terça-feira. O Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Paraná (Sindifarma) vai denunciar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) as lojas que desrespeitarem a determinação. Redes estão oferecendo descontos de 45% a 72% no preço dos remédios, caracterizando concorrência desleal.
O presidente do Sindifarma, David Guntowski, disse que as empresas podem ser enquadradas na prática de dumping, isso é, venda de produtos abaixo do preço de custo. ''Com certeza isso prejudica as pequenas lojas, que não têm reserva de dinheiro nem grandes estoques para queimar'', afirmou.
O prazo é até terça-feira porque duas grandes redes, Drogamed e Nissei, programaram descontos de 45% na segunda-feira. ''Se agíssemos já as lojas poderiam enfrentar problemas como propaganda enganosa e por isso demos prazo'', explicou. A guerra acirrada de preços ganhou força nas duas últimas semanas e tem a participação de várias redes.
O Sindifarma calcula que o desconto máximo que as lojas podem dar é de aproximadamente 20%. ''Isso se aplica para este mês, por causa dos descontos dados pela indústria'', observou Guntowski.
A guerra de preços está ocorrendo também em outras regiões do Brasil. No final do ano, os fabricantes de produtos farmacêuticos dão descontos para acabar com estoques. No Paraná, essa é a primeira vez que a briga entre redes motiva intervenção do Sindifarma.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), houve queda no preço de medicamentos em novembro não somente por causa das ofertas, mas também pela redução de consumo. ''As promoções são bem-vindas, mas na verda não são tão promoções assim'', disse o economista Cid Cordeiro.
Entre novembro de 2002 a outubro de 2003, os remédios subiram 16,75% em Curitiba. Considerando o período de dezembro de 2002 a novembro de 2003, o índice cai para 14,20%. Segundo Cordeiro, as famílias gastam em média 4% do orçamento em remédios.


