Guerra das cervejarias chega à Justiça
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Renato Andrade e Liliana Pinheiro 
São Paulo, 16 (AE) - A guerra das cervejas foi parar na Justiça comum. Hoje a Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) informou que interpelou judicialmente a Coca-Cola. Segundo a assessoria de Comunicação da AmBev, a ação tem por objetivo fazer um "alerta" à Coca-Cola, para que a empresa "fique consciente de sua responsabilidade por prática de concorrência desleal ao tentar influenciar a opinião pública contra a fusão da Antarctica com a Brahma." A interpelação foi deferida pela juiza Rosana Navega Chagas, do Rio de Janeiro. Um oficial de Justiça notificou a Coca-Cola hoje mesmo, segundo a AmBev.
Ao mesmo tempo a direção da Kaiser também informou que decidiu interpelar, só que na Justiça Federal de São Paulo, a direção da AmBev para que esta comprove que a Kaiser é controlada pela Coca-Cola. Na semana passada, os co-presidentes da AmBev, Marcel Telles e Victório De Marchi, em audiência pública da Câmara, acusaram a Kaiser de ser majoritariamente controlada pela Coca-Cola. O presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho, reafirmou hoje que a Coca-Cola detém apenas 10% do capital da cervejaria. "A Ambev terá que se retratar junto à opinião pública", afirmou.
Pandolpho reuniu-se com representantes da Comissão de Economia, Indústria e Comércio da Câmara para discutir a fusão da Antarctica e da Brahma e colocou mais um ingrediente na briga. Ele acusou a AmBev de ter, em seu quadro acionário, participação de uma empresa estrangeira, a Tinsel Investment Inc., com sede em Nassau, nas Bahamas.
Segundo ele, o discurso nacionalista adotado pela direção da AmBev é "mentiroso". De acordo com dados apresentados pelo executivo, 25,93% das ações da AmBev pertencem à Fundação Antarctica; 40,93% à Ecapi (holding da Brahma) e 33 24% à Abraco. Por sua vez, a Abraco, de acordo com Pandolpho, detém 98,64% do capital da Ecapi e, do capital da Abraco, 35,9% pertencem a Tinsel Participações, que é controlada pela Tinsel Investiment Inc. O executivo Jorge Paulo Leman, do grupo Garantia, também deteria 21,30% do capital da Abraco.
Pandolpho solicitou aos deputados que convençam o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a esperar pelo fim do inquérito policial que investiga suposta tentativa de suborno de seus conselheiros. Isso porque, na semana passada, todos os conselheiros do Cade, inclusive seu presidente, Gesner Oliveira, votaram à favor do parecer da Procuradoria-Geral do Conselho, pela manutenção da análise do processo de fusão das cervejarias, independentemente do resultado final do inquérito.
O executivo da Kaiser contestou, com números, a posição defendida pelos co-presidentes da AmBev, de que a venda de uma das marcas de cerveja da empresa (Skol, Brahma ou Antarctica) criaria uma empresa menor do que as já existentes.
Segundo Pandolpho, atualmente, Skol, Brahma e Pepsi, juntas, produzem 48,789 milhões de hectolitros. Se a AmBev optasse em vender a marca Skol, e fizessem a fusão da Brahma com a Antarctica, estas duas teriam uma produção de 53,016 milhões de hectolitros, o que significaria um aumento de 9% em relação à atual produção do grupo Brahma. "Em qualquer situação de venda de uma das marcas, o resultado é maior do que o registrado hoje", afirmou.


