Guardas municipais são acusados de agredir perueiros em Sorocaba
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 07 (AE) - O presidente da Cooperativa dos Usuários do Transporte Alternativo de Sorocaba (Coopvus), Edilson Medeiros de Freitas, acusou guardas municipais de agredir com socos e golpes de cassetetes dois menores, filhos de perueiros hoje, em Sorocaba, durante uma blitz para apreensão de veículos que atuam no transporte de passageiros.
Segundo Freitas, o menor S.R.A., de 17 anos, que reagia contra a apreensão de uma perua, foi cercado e espancado por integrantes da Guarda Municipal. Sangrando, depois de receber vários golpes de cassetete, ele foi colocado em uma viatura e levado ao Hospital Regional. No interior do hospital, segundo Freitas, o menor voltou a ser espancado, causando a revolta de médicos e assistentes sociais. A Polícia Militar foi chamada, mas os guardas não esperaram a chegada dos policiais.
Outro menor, A.S.G., de 13 anos, foi agredido quando descia do veículo de lotação do seu pai, disse Freitas. Ele contou que outros quatro perueiros ficaram feridos, pois os guardas usavam cassetetes de madeira. Todos foram encaminhados para exame de corpo de delito. O tumulto aconteceu na Praça da Bandeira, perto do centro, onde os guardas municipais interceptavam os veículos que chegavam com passageiros. O trabalho dos perueiros é considerado clandestino pela prefeitura. Freitas disse que os motoristas barrados pela GM tinham liminares da Justiça. "Os guardas não respeitam a liminar", disse. R.S.A. continuava em observação no Regional até o fim da tarde. Sua mãe, Marli Rodrigues Assis, disse que vai entrar com ação contra os guardas que o agrediram. Segundo ela, o médico Marcelo Seganelli, que estava de plantão interferiu para que as agressões cessassem. Ela conseguiu identificar, pelo primeiro nome, os três principais agressores. O médico já havia deixado o plantão e não foi encontrado hoje à tarde.
A Secretaria Municipal de Transportes e Defesa Civil da prefeitura informou que os donos de lotações iniciaram as agressões, atacando os guardas municipais. O tumulto começou porque um perueiro que era autuado, tentou fugir, derrubando o guarda que o interpelava. Os outros guardas o imobilizaram, mas foram atacados pelo grupo de perueiros, entre os quais estava R.S.A. Segundo a secretaria, três guardas ficaram feridos e foram levados para o pronto-socorro do Hospital Regional junto com o menor. Os guardas negaram ter agredido o menor no hospital
segundo a secretaria. Eles registraram queixa contra os perueiros por desobediência, desacato, resistência e lesões corporais no 4o. Distrito Policial.


