Guarda Municipal do Rio vai patrulhar sinagogas e escolas judaicas; atos de vandalismo preocupam Conde
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2000
Por Felipe Werneck 
Rio, 11 (AE) - Preocupado com a ocorrência de atos de vandalismo supostamente praticados por grupos anti-semitas, o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), deslocou hoje cerca de 80 homens da Guarda Municipal para a realização de rondas de patrulhamento e controle, 24 horas por dia, na porta das 11 sinagogas e sete escolas judaicas da cidade. Na madrugada de sábado, o muro de mármore da entrada de duas sinagogas da Tijuca, na zona norte da cidade, e a parede interna do Túnel Novo, em Copacabana, na zona sul, foram pichados com inscrições alusivas ao nazismo (a suástica e as iniciais SS, da polícia secreta de Hitler).
Na ação, os vândalos também arrancaram as mezuzas - símbolos judaicos onde estão escritos os mandamentos divinos - que ficavam na porta do Templo União Israel e da Sociedade Israelense Templo Sidon. De acordo com o chefe de gabinete da Guarda Municipal, Carlos Paiva, estudantes judeus estariam sendo ameaçados de sequestro por integrantes de uma suposta milícia de anti-semitas. "As mães estão apavoradas com as ameaças de sequestro e os atos de vandalismo que estão sendo praticados por grupos que defendem a segregação racial", declarou Paiva, sem apresentar provas dos grupos.
"O prefeito determinou a criação de um serviço especial de patrulhamento e controle para inibir o terrorismo contra templos e escolas, porque o Rio não vai viver a barbárie que aconteceu em São Paulo", em referência à morte do adestrador de cães Edson Neris da Silva, espancado no domingo por uma gangue de skinheads na capital paulista. "É uma violência sem justificativa, apenas para reavivar o ódio racial e religioso pregado por Hitler", disse o presidente da Câmara dos Vereadores, Gérson Bergher (PFL).
Para o vereador, a ação dos vândalos "representa o início de uma campanha de solidariedade às recentes mudanças na áustria" - o novo governo austríaco é sustentado pelo Partido da Liberdade (FPO), chefiado pelo líder ultradireitista Joerg Haider, acusado de defender idéias nazistas. Carros-bomba - Bergher disse que duas sinagogas do Rio - a Lubavicht, no Leblon, e a Associação Religiosa Israelita, em Botafogo - são protegidas por muros à prova de carros-bomba. Segundo Paiva, a GM dispõe de 16 carros, com cinco homens cada, para as rondas que começaram a ser feitas a partir da manhã de hoje.


