Guarda Municipal aborda jovem com choque
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
A reportagem da FOLHA flagrou ontem no estacionamento da Câmara Municipal, pouco após as 16 horas, uma cena que seria inusitada, não fosse alarmante: abordado por dois guardas municipais, um rapaz na faixa dos 20 anos passou por uma revista que, após resultar na dominação dele, com mãos à cabeça, ainda lhe rendeu um golpe de cacetete e a aplicação de choques na região da nuca com o equipamento teaser. O que os guardas classificaram como desacato a uma abordagem, no entanto, foi presenciada pelo jornal e por um funcionário da vice-presidência da Câmara, que passava pelo local, como sinais de abuso de autoridade.
Interno da Coordenadoria de Apoio Psicossocial (Caps) D, na Região Sul, Glauder Pereira de Souza teria sido confundido com um adolescente que tentara fugir, instantes antes, ali perto, de uma audiência na Vara de Execuções Penais (VEP). O guarda municipal Roger, autor da abordagem com o teaser, alegou o desacato na abordagem do suposto suspeito. Um funcionário da Câmara que assistiu a tudo disse conhecer o jovem e foi até a VEP, correndo, para trazer a informação de que o quase-fugitivo seria outro, e menor de idade. Detido até que chegasse a viatura, Souza insistia que, do Caps, onde está em trabalho de reabilitação há dois anos, devido ao crack, seguiria para a Casa Abrigo ali perto, onde deveria estar até 17 horas. No cartão assinado por um responsável da coordenadoria que ele mostrou à reportagem, a confirmação: ontem, estivera em atividades desde as 8 da manhã.
Abordado pela FOLHA, o guarda reagiu: ''Deixa eu fazer o meu trabalho''. Ele e o colega, o guarda Moraes, indagados sobre o uso do teaser - uma vez que a Guarda foi às ruas, no início de julho, apenas com cacetetes -, alegaram que o equipamento era de uso pessoal, não da corporação, de modo que ''qualquer um, até você, pode ter''. O jovem não foi levado à delegacia.
O secretário municipal de Defesa Social, Benjamin Zanlorenci, não falou com a FOLHA. Sua assessoria de imprensa reforçou que teria havido um desacato, e ''diante disso o guarda deu ordem de prisão. Imobilizado, o cidadão reagiu'' -o que, na realidade, não aconteceu.
Sobre o uso de teaser, o responsável pelo setor de armas da Polícia Federal (PF) de Londrina, Edivaldo Félix, ressalvou que esse tipo de equipamento não letal tem tanto a autorização para venda quanto para uso concedida pelo Exército. ''Mas o cidadão precisa saber que, se vai usar isso em alguém, tem que ter critérios: quem sofre do coração ou usa um marcapasso, por exemplo, não pode levar um choque desses'', advertiu Félix.


