Guarda de veículos apreendidos gera transtorno para polícias rodoviárias
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sexta-feira, 19 de agosto de 2016
Magaléa Mazziotti<br>Reportagem Local 

Curitiba - Basta cruzar as estradas paranaenses para perceber que em cada posto das polícias rodoviárias Estadual (PRE) e Federal (PRF) existem milhares de veículos ou sucatas, inutilizando as áreas e comprometendo parte do efetivo policial para gerenciá-los. Isso acontece porque muitos proprietários abandonam os veículos retidos diante do montante devido entre guincho, diárias (cobradas somente nos pátios da PRF) e multas por infrações e tributos atrasados que, muitas vezes, motivaram a retenção do veículo.
De acordo com a tabela de preço da PRF, o valor cobrado pelo acionamento de guincho é de R$ 261, já a diária varia conforme o tamanho do veículo. O preço para um veículo de 3,5 mil quilos é de R$ 38,50, acima disso é de R$ 140,72. No caso de motocicletas o valor da diária é de R$ 23. "Daí a predominância de motos que, facilmente, têm seus valores de venda superados pelo que é devido para retirá-las do pátio", constata a policial rodoviária federal e presidente da Comissão de Leilão da PRF, Soraya da Costa Lima.
Somente pelos dados da PRF, entre os mais de 40 pátios espalhados pelo Estado, estão acumulados 9 mil veículos, que ficam onerando o poder público, até o prazo limite de 60 dias determinado pelo Código Brasileiro de Trânsito (CBT) para que o órgão responsável possa encaminhar a leilão os veículos que não foram reclamados pelos proprietários. "Todo o processo para chegar ao leilão é precedido por uma série de notificações aos proprietários ou bancos, quando há alienação fiduciária; e compradores quando há comunicação de venda", informa Soraya.
Ela confirma que a maioria das retenções feitas durantes as operações de rotina da PRF ocorre por falta de licenciamento e má conservação. Nas estradas monitoradas pela PRE, os motivos de retenção são parecidos. A diferença fica na maneira de administrar a frota retida que, assim como a PRF, é encaminhada para leilão. No caso da PRE, o Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná (DER-PR) há três anos organiza um leilão anual. O último aconteceu no início de agosto, entre os dias 8 e 10. Foi arrematado um total de 1.221 veículos, o que possibilitou uma arrecadação de R$ 690 mil. O acumulado dos três anos foi de 3.655 entre carros, motos, caminhões e ônibus que, para simplificar o processo de baixa, são classificados como sucatas e só podem ser arrematados por empresas de autopeças, sucatas e ferros-velhos devidamente legalizados e cadastrados na Junta Comercial do Paraná.
No caso da PRF, os veículos podem ser classificados como sucata ou conservados estes reúnem todas as condições de segurança para circular. "Dos 700 veículos retidos na Região Norte que serão leiloados no dia 25, 234 podem circular e 70% desse grupo são motos", descreve o inspetor-chefe da Delegacia da PRF de Londrina, Marcos Pierre Vespermann Carvalho.
Depois da Região Norte, estão previstos outros três leilões, em setembro no Oeste, depois Sudoeste e por fim na Região Metropolitana de Curitiba. "O valor arrecadado com os leilões dificilmente cobre os custos, mas ajuda a evitar problemas de proliferação de mosquitos ou com o meio ambiente. Além de não ser função da polícia ficar cuidando de carro. É nesse sentido que a terceirização do guincho e dos pátios será benéfica", defende Soraya.
O pátio da PRF na zona norte de Londrina foi o primeiro a ser terceirizado e abriga entre mil e 2 mil veículos. "Os demais pátios do Estado já estão em processo de licitação tanto para o armazenamento de veículo quanto para os guinchos", acrescenta Carvalho.


