Imagem ilustrativa da imagem Guarda de veículos apreendidos gera transtorno para polícias rodoviárias
| Foto: Anderson Coelho
Pátio da PRF em Londrina foi o primeiro a ser terceirizado e abriga entre mil e 2 mil veículos



Curitiba - Basta cruzar as estradas paranaenses para perceber que em cada posto das polícias rodoviárias Estadual (PRE) e Federal (PRF) existem milhares de veículos ou sucatas, inutilizando as áreas e comprometendo parte do efetivo policial para gerenciá-los. Isso acontece porque muitos proprietários abandonam os veículos retidos diante do montante devido entre guincho, diárias (cobradas somente nos pátios da PRF) e multas por infrações e tributos atrasados que, muitas vezes, motivaram a retenção do veículo.
De acordo com a tabela de preço da PRF, o valor cobrado pelo acionamento de guincho é de R$ 261, já a diária varia conforme o tamanho do veículo. O preço para um veículo de 3,5 mil quilos é de R$ 38,50, acima disso é de R$ 140,72. No caso de motocicletas o valor da diária é de R$ 23. "Daí a predominância de motos que, facilmente, têm seus valores de venda superados pelo que é devido para retirá-las do pátio", constata a policial rodoviária federal e presidente da Comissão de Leilão da PRF, Soraya da Costa Lima.
Somente pelos dados da PRF, entre os mais de 40 pátios espalhados pelo Estado, estão acumulados 9 mil veículos, que ficam onerando o poder público, até o prazo limite de 60 dias determinado pelo Código Brasileiro de Trânsito (CBT) para que o órgão responsável possa encaminhar a leilão os veículos que não foram reclamados pelos proprietários. "Todo o processo para chegar ao leilão é precedido por uma série de notificações aos proprietários ou bancos, quando há alienação fiduciária; e compradores quando há comunicação de venda", informa Soraya.
Ela confirma que a maioria das retenções feitas durantes as operações de rotina da PRF ocorre por falta de licenciamento e má conservação. Nas estradas monitoradas pela PRE, os motivos de retenção são parecidos. A diferença fica na maneira de administrar a frota retida que, assim como a PRF, é encaminhada para leilão. No caso da PRE, o Departamento de Estradas e Rodagem do Paraná (DER-PR) há três anos organiza um leilão anual. O último aconteceu no início de agosto, entre os dias 8 e 10. Foi arrematado um total de 1.221 veículos, o que possibilitou uma arrecadação de R$ 690 mil. O acumulado dos três anos foi de 3.655 entre carros, motos, caminhões e ônibus que, para simplificar o processo de baixa, são classificados como sucatas e só podem ser arrematados por empresas de autopeças, sucatas e ferros-velhos devidamente legalizados e cadastrados na Junta Comercial do Paraná.
No caso da PRF, os veículos podem ser classificados como sucata ou conservados – estes reúnem todas as condições de segurança para circular. "Dos 700 veículos retidos na Região Norte que serão leiloados no dia 25, 234 podem circular e 70% desse grupo são motos", descreve o inspetor-chefe da Delegacia da PRF de Londrina, Marcos Pierre Vespermann Carvalho.
Depois da Região Norte, estão previstos outros três leilões, em setembro no Oeste, depois Sudoeste e por fim na Região Metropolitana de Curitiba. "O valor arrecadado com os leilões dificilmente cobre os custos, mas ajuda a evitar problemas de proliferação de mosquitos ou com o meio ambiente. Além de não ser função da polícia ficar cuidando de carro. É nesse sentido que a terceirização do guincho e dos pátios será benéfica", defende Soraya.
O pátio da PRF na zona norte de Londrina foi o primeiro a ser terceirizado e abriga entre mil e 2 mil veículos. "Os demais pátios do Estado já estão em processo de licitação tanto para o armazenamento de veículo quanto para os guinchos", acrescenta Carvalho.

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