Guarda Costeira encontra pedaço de fuselagem de avião boiando no mar
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domingo, 18 de julho de 1999
Por Renan Antunes de Oliveira 
Ilha de Marthas Vineyard, EUA, 19 (AE) - Um pedaço de quase dois metros da fuselagem de um avião foi encontrado boiando no mar ao sul da Ilha de Marthas Vineyard, na tarde desta segunda-feira (19), no terceiro dia de buscas do avião Piper de John Kennedy Jr., desaparecido desde sexta-feira.
Com base nos dados que já coletou, a Guarda Costeira anunciou que é praticamente certo que os três estejam mortos. O avião teria caído no mar durante uma tentativa de pouso na escuridão, sob forte neblina - situação inesperada para a qual John Jr. não estava habilitado a voar. Registros de radar liberados pelas autoridades de segurança aérea indicam que ele perdeu o controle do avião ao aproximar-se da ilha, caindo abruptamente 330 metros em 14 segundos.
Para tentar desvendar os detalhes do que aconteceu com John Jr., que pilotava o aparelho, com sua mulher, Carolyn, e a cunhada Lauren - passageiras na viagem inacabada entre New Jersey e a ilha - as autoridades estão montando um trágico quebra-cabeça, juntando a fuselagem com as partes encontradas no domingo e hoje - uma roda, um pedal, isolamento da cabine e pedaços dos bancos dos passageiros.
O biógrafo David Heymann, autor de dois livros sobre a família
disse hoje ao The New York Post que John Jr. disse a ele, pouco antes da decolagem, que não queria ir a Marthas Vineyard porque isso significaria ter de fazer duas aterrissagens adicionais.
"Infelizmente, minha mulher insiste para que eu deixe minha cunhada na ilha", disse ele a Heymann, acrescentando que preferia ir direto para Hyannisport. Para complicar a situação do inexperiente piloto, Lauren atrasou-se por causa do trânsito e os três tiveram de iniciar a viagem durante o pôr-do-sol.
Domingo, a Guarda Costeira informou que já não havia esperança de que os ocupantes do avião estivessem vivos. Mesmo que tivessem sobrevivido à queda na água, teriam morrido de frio nas primeiras 18 horas.
A família Kennedy admitiu hoje à noite a morte de John Jr., de Carolyn e de Lauren, por meio de uma nota divulgada pelo senador Edward Kennedy. Os Bessetes fizeram o mesmo horas antes.
As buscas de hoje por mais destroços do avião começaram cedo. O dia estava quente e úmido, prenunciando uma tempestade. O barco Islander saiu do Porto de Falmouth às 7h15, levando do continente à ilha equipes de resgate, jornalistas e um batalhão de turistas de desastres - gente interessada em percorrer os locais onde tudo aconteceu.
Dez minutos mar adentro, o enorme Islander foi engolido pela densa neblina sentida nos últimos dias na costa atlântica americana - a mesma neblina que as autoridades agora acreditam tenha sido uma das causas do acidente.
No braço de mar entre Falmouth e Vineyard, a visibilidade era quase zero. De repente, surgida do nada, a lancha Oriente Express, uma das dezenas que participam das buscas, passa raspando pelo Islander. Recuperada do susto, a tripulação se abana.
A bordo do Islander, muitos ainda esperavam um milagre. "Enquanto o avião ou os passageiros não forem encontrados, existe uma possibilidade", disse Marla Ellsworth. Ela viajava para Marthas Vineyard atraída pelo acidente. Queria participar das operações de busca, fazer parte da história norte-americana. "Vou caminhar toda a praia, mas prefiro não encontrar nada, porque quero que eles estejam vivos."
Na ponta sul da ilha, na praia de Gay Head, local onde estão concentradas as buscas, o dia começou com tanta neblina que era impossível ver o mar. Uma tevê armou seu circo no mirante, mas de lá não se podia mirar nada. Turistas com câmeras ocuparam o lugar, mas também saíram decepcionados.
Por volta do meio-dia, quando a neblina levantou um pouco, a Guarda Costeira conseguiu lançar no mar sua primeira equipe de mergulhadores, em pontos onde se suspeita possam estar destroços do avião. Na praia, policiais, moradores e turistas continuavam procurando por objetos - embora as correntes locais tendessem a levar qualquer coisa para a a Ilha de Nomans Land, seis quilômetros ao sul.
Na Praia de Aquinnah, alguém botou um quadro-negro na areia, com singelas mensagens para John-John. Cada um que passava escrevia alguma coisa: "Te esperamos", ou "queremos um milagre." Lá pelas 10 horas chegou o salva-vidas e escreveu uma mensagem mais prática: "Cuidado, ondas altas."
No trecho entre Gay Head e Aquinnah, uma artista anônima ergueu uma cruz de pedra no local onde, no domingo, fora encontrada a bagagem e o cartão de visitas de Lauren Bessette, cunhada de John-John.
Cenas cômicas também aconteceram: um grupo de nudistas foi surpreendido por uma equipe de tevê, vinda do sul. A turma saiu correndo para o norte, dando de frente com um bando de cerca de 20 fotógrafos. Em Nova York, o apartamento de John-John no bairro Tribeca está-se convertendo num templo. Milhares de pessoas passam por lá toda hora, muitas delas depositando flores e bilhetes em memória de John Jr. e Carolyn.


