Guarda Civil retira ambulantes da rua 25 de Março
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Luciana Garbin 
São Paulo, 07 (AE) - A Guarda Civil Metropolitana retirou hoje ambulantes da Rua 25 de Março, no Centro de São Paulo. Cerca de 300 homens ocuparam a rua a partir das 7h40 e obrigaram camelôs a desmontar bancas. Um sindicalista foi preso, mas não houve confronto. Muitos comerciantes não abriram as lojas, temendo depredações. Às 8 horas a maioria das barracas já havia sido retirada e funcionários da Administração Regional da Sé ajudavam a desmontar as que restavam. Mesmo camelôs com autorização provisória para trabalhar no local tiveram de sair.
Uma hora mais tarde, alguns camelôs tentaram virar um carro da regional e a Guarda Civil interveio. Cerca de 80 policiais militares que estavam de prontidão na 1.ª Companhia do 7.º Batalhão seguiram até a 25 de Março para manter a ordem e evitar que a rua fosse fechada. "A determinação aqui é tolerância zero; não fica ninguém", disse o comandante da área central da Guarda Civil, João Malta de Sá. "O objetivo não é impedir o comércio ambulante, mas limpar a área para o trabalho do pessoal cadastrado."
Sá disse que a Guarda recebeu ordem de permanecer no local até 19 horas e manter presença na 25 de Março até o fim de dezembro. Segundo ele, também seriam retirados ambulantes do chamado quadrilátero central, formado ainda pela Praça da República, Rua 7 de Abril e Avenida São João.
Omissão - Os ambulantes acusam a Secretaria das Administrações Regionais e o prefeito Celso Pitta de omissão. "Há mais de 30 dias estamos pedindo à Prefeitura que venha aqui organizar e desimpedir as ruas, mas eles deixaram propositadamente que a situação chegasse nisso na porta do Natal", protestou o diretor do Sindicato da Economia Informal de São Paulo, Marco Antônio Maldonado.
Propina - Os camelôs também denunciaram a cobrança de propinas e reclamaram das condições do bolsão da Praça Fernando Costa. Com 480 vagas, ele foi reformado e entregue pela Prefeitura, no domingo, sem estar terminado. Há material de construção no local e os banheiros não foram concluídos. "No bolsão, o movimento é 75% menor do que na rua", disse Josué Marques Ozendo, de 21 anos.
Protesto - Em protesto pela desocupação, os ambulantes começaram uma passeata, às 10 horas. A PM tentou desobstruir as vias, sem sucesso. O presidente da Associação dos Camelôs Independentes de São Paulo, Gilberto Monteiro da Silva, deitou no chão para bloquear a 25 de Março. Foi levado ao 1.º Distrito e liberado horas depois. Processado por concussão e formação de quadrilha, ele ganhou notoriedade em fevereiro, ao acusar o então deputado estadual Hanna Garib de receber propinas.
Às 10h30, camelôs subiram a Ladeira Porto Geral em direção ao Largo São Bento e Rua Líbero Badaró. Das janelas dos edifícios, pessoas jogavam papel molhado no grupo. Às 11 horas, a passeata terminou.
Amanhã(08), às 9 horas, os camelôs farão uma concentração na 25 de Março, perto da Galeria Pajé. De lá, sairão em passeata até a sede do Ministério Público, no centro, onde Maldonado terá uma audiência com os promotores José Carlos Blat e Roberto Porto para apresentar denúncias de cobrança de propina.


