São Paulo, 26 (AE) - A São Paulo Transporte (SPTrans) iniciou hoje a fiscalização das peruas clandestinas com o apoio de 50 homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM). A medida foi adotada com o objetivo de aumentar a segurança dos fiscais. Em algumas das blitze que vinham sendo feitas apenas com o apoio "informal" da GCM, funcionários da Prefeitura foram agredidos. A Secretaria Municipal dos Transportes não informou, até 19 horas, quantas peruas foram apreendidas no primeiro dia da nova operação.
O ideal, admite o secretário municipal dos Transportes, Getúlio Hanashiro, seria o apoio da Polícia Militar. Essa parceria, porém, não tem sido possível porque o comando da polícia não se tem mostrado favorável à idéia.
Hanashiro acha que um dos fatores que impediam o apoio da polícia era a falta de uma lei municipal, regulamentando o serviço de lotações, o que pode mudar se a Câmara aprovar a lei que regulamenta os serviços de mais de 4 mil peruas. Essa lei já existia - e permitia que, oficialmente, 2,7 mil peruas circulassem pela cidade carregando passageiros -, mas foi derrubada pelo Tribunal de Justiça. Hoje, na prática, todos os perueiros são clandestinos. Mesmo antes de a lei ter sido invalidada, no entanto, a Prefeitura já não conseguia firmar a parceria com a PM.
Sem a fiscalização efetiva dos lotações clandestinos, a Prefeitura pode perder o controle da situação. Na ilegalidade, os perueiros entram em concorrência com os ônibus, "roubando" passageiros. Para especialistas, um grande número de peruas clandestinas pode significar o agravamento do caos no trânsito e riscos à população, como nos casos de Kombis e vans roubadas e sem manutenção.
Greve - Hoje, a greve de motoristas e cobradores foi bem menor que nos dias anteriores. No início do dia, três empresas - das zonas norte e leste - estavam paradas. No total, 441 ônibus deixaram de circular, parando 51 linhas. Cerca de 160 mil passageiros foram prejudicados. No fim do dia, apenas uma empresa permanecia em greve.
O prefeito Celso Pitta (sem partido) disse hoje que se sente o "bode expiatório" nos últimos problemas enfrentados no setor do transporte. "É sempre cômodo arrumar um culpado", disse o prefeito, ontem.
Pitta afirmou que o problema do transporte é complexo e necessita de um plano para que os ônibus voltem a atrair passageiros. "O transporte alternativo deve ser limitado em número e a área em que ele possa atuar, sem prejudicar o transporte oficial."

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