Cerca de 45 famílias de ex-funcionários das fazendas de maçã da região do distrito de Guará (20 km de Guarapuava), ocuparam às 8 horas de ontem, duas fazendas desapropriadas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na tarde de anteontem.
A idéia, segundo o prefeito de Guarapuava, Vitor Hugo Burko (PSDB), é colocar em prática um projeto de Reforma Agrária municipalizada. ‘‘Trata-se de uma proposta inovadora para o desenvolvimento econômico e social da população rural, em sintonia com a preservação e melhor aproveitamento do meio ambiente e de seus recursos naturais’’, disse o prefeito.
O projeto cadastrou as famílias visando especificamente as duas áreas da fazenda Guará-Fruta. A primeira, localizada às margens da BR-277, possui 563 hectares de área, dotada de infra-estrutura - 22 casas, dois barracões, três tanques de peixes e granja com capacidade para mil suínos - abriga 25 famílias nesta primeira fase, e a segunda, antiga Fazenda Europa, está situada na localidade de monte Alvão, cerca de 20 famílias, sendo dotada de quatro casas e dois barracões.
O Incra desapropriou as áreas no dia 18 e tão logo as famílias tomaram conhecimento ocuparam as duas fazendas. Nas duas áreas será desenvolvida, inicialmente, a cultura de subsistência, com assitência técnica do município. Para o próximo ano está previsto a implantação de projeto diversificando de fruticultura (pêssego, ameixa, caqui e nectarina), piscicultura, apicultura, ovinucultura e olericultura.
A desocupação das duas áreas pelo Incra foi motivada pelo Projeto Municipal de Colonização (readequação fundiária), entregue pelo prefeito ao ministro da Reforma Agrária, Raul Jungmann, quando de sua estada em Guarapuava há cerca de dois meses. O ministro avaliou a proposta e viabilizou o início do programa. O produtor interessado passa por uma seleção e, posteriormente, por treinamentos de formação tecnológica, tanto na área de manejo quanto de gerenciamento. O treinamento inclui formas de produção que não agridam o meio ambiente.
Os produtores, após qualificação, estarão aptos a criarem núcleos de produção. O trabalho será concentrado em associações ou condomínios com facilidade na obtenção de créditos e comercialização dos produtos. A venda, em grande parte, será realizada na Central de Abastecimento de Guarapuava, que será criada.

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