Os índios guarani-caiovás de Antonio João, a 481 km de Campo Grande, acertaram uma trégua com autoridades locais e da Fundação Nacional do Índio. Eles ficarão na fazenda Fronteira, ocupada dia 20 de dezembro, em uma área de 30 hectares, recebendo recursos técnicos e insumos para atividade agrícola, além de cestas básicas, até que a Funai identifique e demarque as áreas indígenas no município.
Os guarani-caiovás se comprometeram a não repetir as invasões de lojas e residências na cidade que, segundo caciques e feiticeiros, estão nas terras de seus antepassados. Trata-se de uma faixa de fronteira com o Paraguai de 25 mil hectares. Os índios querem transformar a área, chamada de Morro Marankatu, em uma nova e grande nação indígena. A luta por essa terra prometida começou há pelo menos 35 anos, sob a liderança do líder guarani Marçal de Souza, assassinado em 83 na Aldeia Campestre, onde morava.
Caciques de tribos do Paraguai estão dando apoio aos índios de Antonio João, colocando guerreiros à disposição dos invasores da fazenda Fronteira para evitar que pessoas estranhas entrem no acampamento. Participaram das negociações o chefe de gabinete da presidência da Funai, Celso Carelli Mendes, o administrador regional do órgão, José Nilton Bueno, o cacique d. Quitito Vilhalba e diversos líderes da Aldeia Campestre.
Os índios concordaram em não abater o gado e deixar o proprietário da fazenda, Pio Queiroz Silva, e seus funcionários trabalharem normalmente na propriedade. Durante as negociações foram oferecidos aos 250 índios, em troca da desocupação da Fronteira, uma fazenda com 180 hectares, vizinha da Aldeia Campestre, tratores, sementes, água potável, cestas básicas e lenha. Eles não aceitaram. Preferem esperar a demarcação.

mockup