A aldeia indígena guarani do Ribeirão Silveiras, localizada na divisa de São Sebastião com Bertioga, no litoral norte de São Paulo, e a rede de supermercados Peralta estão disputando o mesmo pedaço de terra.
Enquanto a aldeia quer ampliar sua reserva em direção à serra do Mar, o grupo empresarial reclama a posse da gleba e até já ameaçou construir um condomínio no local.
Para conseguir a ampliação da reserva, a comunidade indígena se apóia no crescimento populacional da ordem de 7% ao ano. Nos últimos quatro anos, a população guarani dobrou e, por isso, o território original não comportaria o crescimento demográfico.
O caso levou a Funai (Fundação Nacional do Índio) a montar um grupo de estudo para avaliar o caso. A conclusão do indigenista Márcio José Alvin, que acompanhou o estudo, é que os guaranis têm ‘‘posse histórica sobre a terra’’. ‘‘A serra do Mar sempre foi um território de ocupação guarani. Isso faz com que a Funai reconheça a ocupação memorial dos índios.’’ O problema para uma definição rápida sobre o assunto é que o estudo tem de ser levado ao presidente da Funai, Glênio Álvares, em Brasília, que vai definir a situação dos índios, provavelmente em abril de 2001.
Até que a Funai avalie o caso, o Centro Latino-Americano Pedro Casaldáliga, em São José dos Campos (SP), planeja pressionar, por meio de abaixo-assinado, a Prefeitura de Bertioga a aceitar a posse da terra pelos índios.
A Prefeitura de São Sebastião apóia o movimento dos guaranis, mas a Prefeitura de Bertioga pode aprovar a construção de um condomínio no local.
A terra é disputada pelo grupo empresarial desde 81, quando foi aberto o primeiro processo de demarcação de terras. A área só viria a ser demarcada em 87.
A Funai também não descartou a possibilidade de fazer uma nova demarcação de terras no local, que aumentaria o tamanho da atual reserva ocupada pelos guaranis. A aldeia indígena do Ribeirão das Silveiras possui cerca de 300 moradores, em uma área de 948 hectares.
Atualmente, a aldeia mantém um projeto ambiental de recuperação de florestas de palmito, que é nativo da mata atlântica, mas que é alvo de constante exploração ilegal para fins comerciais. Outro projeto desenvolvido pela aldeia é a manutenção de um grupo musical que visa o fortalecimento da identidade cultural da raça guarani.
Crianças da aldeia chegaram a gravar um CD com canções tradicionais na língua original do povo. O grupo já fez shows com músicas do disco em vários locais do País. Procurados pela reportagem, nenhum representante do grupo Peralta foi localizado.

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