Guaíra aposta em virada em 99
Centro da indústria náutica estadual e da pesca turística no Lago de Itaipu, pólo de ecoturismo do Parque Nacional de Ilha Grande e ponto de partida para compras em Salto del Guairá, cidade-shopping do lado paraguaio da fronteira. Guaíra (232 km ao norte de Foz do Iguaçu) aposta nessa lista de potencialidades turísticas para recuperar a receita perdida no setor desde o desaparecimento das Sete Quedas, em 1982.
Município mais ao norte da Costa Oeste, Guaíra é um ponto estratégico no mapa do Paraná. À margem da cidade, as águas correntes do Rio Paraná se transformam no gigantesco lago que move Itaipu - a maior hidrelétrica do mundo. A cidade abriga a maior ponte fluvial brasileira (a Ayrton Senna, com 3,6 mil metros de extensão), que liga o Paraná ao Mato Grosso do Sul e ao departamento paraguaio de Canindeyú.
O turismo regional já está consolidado. Agora temos que partir para a conquista de mercados de outros Estados, diz Pedro Venâncio da Silva, secretário municipal de Turismo. Para a atração de novos visitantes, estão sendo aguardados para 1999 - considerado o ano da virada pelas lideranças ligadas ao turismo- o Plano de Manejo do Parque Nacional da Ilha Grande, que poderá permitir visitas monitoradas no interior da reserva de 78.875 hectares; a construção do canal migratório de peixes, que aumentará a piscosidade da parte do lago que banha o município; e a construção da Avenida Ecológica, uma via beira rio com bosques e área para camping, antiga promessa da Itaipu Binacional para compensar o trauma da submersão das Sete Quedas.
De efeito mais direto e imediato, duas outras obras que entusiasmam o secretário de Turismo estão próximas de sair do papel. A readequação do aeroporto da cidade, com pista de 1,8 quilômetro de extensão, pode viabilizar vôos da Rio-Sul para Curitiba e São Paulo.
A cidade poderia receber também vôos fretados por agências de viagens curitibanas, paulistanas e cariocas. O turismo doméstico brasileiro diversificou seus destinos. Se não tivermos a possibilidade do transporte aéreo regular perdemos competitividade em nível nacional, observa Venâncio.
A marina para 140 barcos, a ser construída a menos de 500 metros ao norte da nova ponte, facilitará a locação e a compra de barcos de lazer, o que tornará o fluxo de turistas mais regular. A região é exuberante, a localização ajuda e a fábrica da Cavel atrairá interessados de todo o Brasil por novos modelos náuticos. Venâncio se refere à Cavel Náutica, empresa paraguaia que fabrica 17 modelos de lanchas e um de iate, que se estabeleceu em Guaíra com fábrica e show-room.
Ao todo, os paraguaios, que também administrarão a marina, investirão R$ 2,5 milhões no complexo. É o primeiro passo para criarmos um pólo industrial de equipamentos náuticos, acredita Venâncio. A Cavel decidiu se inspirar nas marinas do Rio Paraguai, em Assunção. Como as da capital paraguaia, a de Guaíra contará com posto de gasolina, vestiário, lanchonete e oficina mecânica. Seremos a segunda cidade de muitos esportistas, aposta o secretário de Turismo.
Para suprir as primeiras levas de visitantes do chamado segundo ciclo turístico, Guaíra ganhará em breve um sofisticado hotel-fazenda voltado ao ecoturismo e ao turismo rural. Hoje, a cidade ainda conta com um pequeno parque hoteleiro, resultado de anos sem investimentos no setor por causa da hibernação econômica. Excluindo-se os micro-estabelecimentos, são apenas seis hotéis, que oferecem, no total, menos de 300 apartamentos.
Ney de Souza Área: 517 km2 Prefeito: Manoel Kuba (PPB) Emancipação política: 14 de novembro de 1951 População: 29.259 habitantes (25.148, urbana; 4.101, rural) Localização: 232 km ao norte de Foz do IguaçuNey de SouzaPonte
Ayrton Senna,
com 3,6 mil
metros de
extensão,
liga o
Paraná ao
Mato Grosso
do Sul e ao departamento
paraguaio
de CanindeyúLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha





